domingo, 5 de agosto de 2018

O Gato

Palavras no Silêncio capitulo 7

"Página retirada do diário do Gato"
Data: Segunda-feira, 27 de outubro de 251, Era dos Reis



Meu Queridíssimo diário

Mais um dia super normal nesse fim de mundo, mas eu sobrevivi. Pra começar meu dia, lá vem ele, sim, meu arque inimigo de novo, o Cachorro. Começa a gritaria logo cedo. Hoje em dia não se pode nem mais dormir até as 14 horas da tarde sem te encherem o saco. O motivo não sei. Antes ele começava a latir sempre que entra alguém novo aqui na nossa casa. Mas agora que bateu um silêncio gostoso aqui na cidade ele começa a empurrar tudo, fazer a maior bagunça e incomodar todos os animais da lojinha. 
E a Larissa nossa dona / minha escrava nem liga muito. Ela parece preocupada com outras coisas. Tipo, não ouvir, não fazer barulhos estranhos de humanos. Se eu tivesse sentimentos estaria com pena dela. Mas como não tenho só aproveito o silêncio pra dormir mais.
Enfim, vou continuar falando do meu dia horrível. Acordei e tinha um pedaço enorme de peixe pra eu comer e uma tigelinha de leite. Acho que foi sobra do restaurante que os humanos não quiseram. Não entendo eles. Peixe é bom de qualquer jeito.
Depois, fui dar um passeio pela cidade, ver como estava o pessoal. Passei em frente da loja do Bill para ver como estavam as coisas e ele me deu uns biscoitinhos deliciosos. É incrível como os humanos se encantam fácil com a minha beleza. Todos menos a humana que cuida de uns negócios estranhos que os humanos gostam de passar o dia todo olhando, acho que se chamam livros. A senhorinha sempre começa a espirar quando eu estou perto. E claro, eu adoro ficar perto dela e vê-la sofrer até ela me botar pra fora.
Depois dei uma passada na loja de penhores ver meu amigo lá. De todos ele é meu humano favorito. Esta sempre vestido de preto com pelos cumpridos na cabeça e quase nunca diz nada. Se eu fosse um humano ia querer ser igual a ele.
Tinha umas pessoas novas hoje. Primeiro vi um humano novo com cabelos amarelos e uma espada enorme e brilhante nas costas. Ele chegou na loja pedindo informações para minha escrava sobre alguma coisa usando aquela linguagem estranha que os humanos encontraram para se comunicar usando as mãos e saiu desapontado. Não entendi o que era e nem tentei, não tem por que gastar meus neurônios felinos para entender a raça inferior. Mas o cachorro parece ter gostado dele. Ficou abanando o rabo quando ele entrou e triste quando saiu.
Depois tinham aqueles humanos que faziam música que passaram por aqui. E por um micro segundo senti falta de ouvir as coisas, só pra poder ouvir eles tocarem.
Chegou uma humana nova também que passa o dia olhando para aquelas coisas estranhas de papel que eu falei antes. E parece que um dos humanos que faz música esta gostando dela. Só falta abanar o rabo. Mas a outra humana nem da bola.
Fora os humanos que chegaram aqui vestidos cheios de armaduras e coisas de ferro. Com armas pontudas e umas roupas laranja por baixo. Eles me dão medo.
Mas a parte mais estranha do meu dia, foi quando cansei de ver humanos e decidi dar uma volta na floresta ao lado da cidade. Só pra distrair a mente e ver se encontrava alguma frutinha gostosa.
Mas enquanto eu estava andando devagar, percebi que tinha alguma coisa me observando. Não, não uma, mas várias. Na hora pensei que eram só mais humanos e então nem ligue, deixei eles apreciarem minha beleza e fofura. Mas quando parei as margens de um rio para tomar um pouco de água. Algo tentou me agarrar por trás. Me esquivei claro. Ninguém consegue capturar o gato. 
E foi ai que percebi. Eles não eram humanos, nem nenhum tipo de animal que eu conheça. Eram verdes, se vestiam mal, cheiravam mal, andavam todos desengonçados e parece que tinham botões no lugar de olhos.
Não me lembro bem mas acho que eram três, mas talvez tenham mais alguns escondidos. 
Todos armados com espadas e alguns uma pequena faca de caça na cintura. Tentaram me capturar de novo e eu dei uma de minhas fantásticas acrobacias para trás. 
Ele disse alguma coisa que não ouvi obviamente. Mas o estranho é, eles podiam falar. Sai correndo sem olhar para trás enquanto eles corriam atras de mim. Até que finalmente voltei para a loja de animais e pulei no colo da Larissa. Ela me abraçou forte e me acariciou como uma boa humana e ainda me deu outro peixe.
Acho que eles desistiram depois disso, não vi mais daqueles bichos feios depois. Mas a experiencia foi assustadora o bastante para eu não conseguir dormir bem a noite.

...


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