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domingo, 9 de fevereiro de 2020

Lugares e Personagens

Guia das cidades
Atrox
Cidade fundada pelo rei Aurix depois da grande guerra. Graças ao talento e criatividade do rei e de seus descendentes para criar novas ferramentas e apetrechos para melhorar a vida das pessoas. A grande cidade de Atrox se tornou a mais tecnológica e a melhor de todas as cidades para se viver de todo o reino. Sempre estando a frente de seu tempo com grandes máquinas voadoras e objetos mágicos nunca vistos em outra parte. As pessoas estão sempre se esforçando em criar coisas novas com suas habilidades, sejam artisitcas, mecanicas ou culinarias.
Todo mês um concurso diferente é realizado entre os artesões para determinar quem são os mais dignos e o vencedor recebe o poder concedido pelo quartzo mágico e a sua habilidade de manipular metais.

Lux
A grande capital do continente, fundada pelo melhor amigo de Aurix o rei Aramus. Localizada quase no centro de tudo. A maior de todas as outras e mais famoso ponto de encontro entre comerciantes e lugar preferido para ser realizado reuniões entre os reis e rainhas de Aurix. Fica rodeado por uma grande floresta onde acreditam-se viver muitas criaturas mágicas e recentemente lugar onde vive a nova tribo slime.
Todos os meses um grande concurso aleatório é realizado chamando a atenção de todos e o vencedor tem a oportunidade de tocar o misterioso Diamante que concede a uns o poder de manipular a luz e em raras exceções concede a outros o poder de manipular as sombras dependendo da alma e sentimentos da pessoa.
Aqueles que adquirem o poder da luz são lembrados como campeões e heróis e constantemente são chamados para ajudar em batalhas pelo reino e missões secretas muito bem remuneradas pela familia real.
Mas os que despertam as sombras são vitimas de enorme preconceito e são muitas vezes banidos da cidade ou as vezes do continente inteiro, obrigando-os a esconder os poderes que ganharam. Isso porque a manipulação de sombras é muito semelhante a usada pelo antigo inimigo na guerra das sombras e acredita-se ainda que aqueles que possuem esse poder adquirem uma maldade sem igual no coração e perdem todos os sentimentos.

Roklua
Uma cidade de guerreiros localizada ao extremo leste do país. Onde os maiores soldados do continente são treinados e mandados para diversas missões de elite requisitada por outros reinos do continente ou em alguns casos fora dele.
Roklua já foi outrora ameaçada por um enorme dragão negro que habitava uma grande montanha nas proximidades. Mas recentemente Auron surgiu e com sua espada aprisionou a besta.
Assim como os outros, Roklua realiza um torneio todo mês entre os melhores guerreiros e o vencedor pode tocar sua pedra guardiã e assim ganhar o poder de manipular as chamas, que segundo o rei Aurix é o elemento da proteção, e aqueles que possuem esse poder tem a obrigação de usa-lo para proteger os mais fracos

Zorah
Sempre muito tradicional e com espirito livre. A capital de Zorah foi construida por tribos nômades nas montanhas do norte próximo ao antigo lar de dragões e por diversas vezes se envolviam em confronto com as feras.
Zorah é um dos maiores pontos turísticos de Aurix. Com uma culinária e música diferenciada que dificilmente se encontram em outras partes.
Apesar de ter um bom exército, o povo é bem pacifico e evita entrar em batalhas desnecessárias. São apaixonados por todo tipo de arte e todo mês criam um grande concurso de uma dessas artes para dar a alguém digno a chance de tocar o grande Rubi do Ar e ganhar o poder sobre o seu elemento.



Guia dos personagens

Auron
O misterioso guerreiro azul. Auron é descendente do antigo herói e amigo de Aurix que conseguiu ser digno de tocar as 12 pedras do poder e ainda sobreviver, ganhando assim o poder sobre todos os elementos. Tal poder nunca foi possível ser manipulado. Os campeões do reino passam a vida toda treinando para conseguir controlar apenas um elemento e muitos não são capazes nem disso. Para ajudar no controle dos elementos, Aurix forjou para o seu amigo uma espada mágica feita de um ótimo metal condutor e quatro safiras banhadas com o sangue de quatro antigos reis dragões que aceitaram ajudar em sua missão. Essa espada ajudava a canalizar o poder e impedir que o portador perca o controle. Espada essa que foi passada de geração em geração entre os descendes desse herói lendário junto com a obrigação de proteger o povo e lidar com ameaças que ninguém mais pode.
Auron é o último descendente dessa familia. Passou a infância toda treinando e perdeu os pais e sua irmãzinha quando tinha apenas 15 anos, e a única coisa que restou foi a lendária espada e o dever da familia.
Atualmente Auron é constantemente chamado pelos reis das famílias reais para conter problemas que ninguém mais consegue.

Zoroak
O príncipe José da cidade Lux. Filho de Astorn. Recebeu o poder do diamante de luz por herança do sangue de sua familia mas nunca se manifestou até ter 17 anos. Era um príncipe amado pela povo e mesmo sem poder algum era um guerreiro formidável capaz de derrotar qualquer soldado ou guerreiro do continente numa batalha. Sinceramente, ninguém se importava na época de ter um rei que não manipulava o poder da luz. Todos o amavam e aceitavam como o seu futuro rei.
Cresceu cercado por vários amigos e servos do palacio que o mimavam desde cedo. Entre essas pessoas tinha uma amizade boa com o príncipe herdeiro de Atrox Eric e Jefenir, o garoto de rua que foi adotado pela familia real que estava sempre junto deles. Isso é, pelo menos até o dia em que Eric e Jefenir resolveram fugir de Atrox e dos deveres reais para se tornarem trovadores e conhecer todo o vasto continente.
José era apaixonado também pela irmã de Eric, a jovem princesa Elizabeth, que era uma das artesãs mais habilidosas de Atrox. E Elizabeth por sua vez, correspondia com os mesmos sentimentos. O rei Garon e a rainha Mercedes apoiavam totalmente esse relacionamento já que as famílias sempre tiveram uma aliança forte e José era um ótimo pretendente.
Até o dia em que em ouviu-se boatos de um grupo de ladrões que ameaçavam uma pequena vila ao sul que fazia parte do reino de Lux. O rei Astorn mandou dez de seus melhores guerreiros para verificar e resolver o problema e junto deles o jovem principe que insistiu em participar.
A missão acabou sendo mais complicada do que eles esperavam e durante uma batalha com os bandidos, José perdeu um de seus melhores amigos e mentor Baroth. O que acabou consumindo o jovem em ódio pelos inimigos e uma sede de vingança enorme dentro de seu coração. E foi nesse momento que o poder do Diamante que estava em seu sangue se manifestou. Mas não foi a energia do elemento luz que todos esperavam que ele fosse despertar. Seus olhos ficaram vermelhos como o sangue e seus cabelos perderam a cor e seu corpo naquele momento foi tomado por uma terrível aura negra, uma marca clara da manipulação de sombras. E com esse poder José destruiu todos os bandidos a sangue frio. Todos os soldados ali se assustaram e se afastaram dele. Ao retornar a cidade, apesar de o rei ter pedido sigilo sobre o que ocorreu, a noticia se espalhou rápido e em pouco tempo todo o reino já sabia do ocorrido. Até porque, todos viam as mudanças que isso tinha gerado ao jovem herdeiro do trono. Todos conheciam bem os detalhes da manipulação das sombras.
E dessa forma o principe querido pelo povo transformou-se em alguém que todos queriam distancia.
Garon, o rei de Atrox ao saber da noticia correu com seus homens para a cidade Lux para falar com o principe e assim desmarcou o casamento entre José e Elizabeth e proibiu o jovem de ver a princesa ou mesmo de ousar pisar novamente no reino do metal.
José sofreu muito naquela época e não entendia o por que de tanto preconceito, até por que ele não sentia mudança nenhuma dentro de si que pudesse ser considerado ameaça.
Com o passar do tempo, seu pai, sua mãe e até seu irmão menor Deigo começaram a trata-lo diferente. Um dia José não aguentou mais e fugiu do palacio e do reino e adotou um novo nome, um nome que ele usava quando era criança em suas brincadeiras com Eric e Jefenir: Zoroak.
Para ajudar, o rei Astorm espalhou a noticia que o filho havia morrido por ataque de um dragão selvagem, Zoroak até se sentiu aliviado por isso.
E durante algum tempo ele andou por ai, de cidade em cidade ganhando dinheiro com a caça de feras nas florestas. E a manipulação de sombras que ele possuía agora ele fez de tudo para esconder. Pintava seu cabelo com tintas que comprava dos mercadores ambulantes e até mesmo quase arrancou a própria mão em uma noite.
Em uma de suas viagens, Zoroak se encontrou com um homem em uma floresta que se encantou com ele. Ele era o grande Mago que ninguém sabia o nome. Uma pessoa que o jovem tinha ouvido falar  apenas em histórias contadas por trovadores. O mago certa vez tinha participado do concurso da cidade Lux e conseguiu o direito de tocar o Diamante. Só que assim como Zoroak, com o tempo o mago recebeu o poder das sombras e foi tratado como discriminação pelo povo e até mesmo sua familia e amigos. Mas o que mais chamou a atenção de Zoroak é que além da marca das sombras, o mago tinha a também despertado a manipulação de luz. O que deu a ele caracteristicas mistas dos dois elementos. Seus cabelos eram dourados com mechas brancas e seus olhos possuiam uma heterocromia entre o vermelho e o azul.
Zoroak então foi convidado pelo misterioso homem para aprender com ele a controlar a manipulação de sombras junto com outras pessoas especiais que ele ensinava dentro das florestas ocultas e quem sabe assim no futuro também desperte a manipulação de luz com ele.
E assim foi, Zoroak foi levado para a floresta onde ali conheceu varias pessoas diferentes que com o tempo passou a chamar de amigos. Cegos, surdos, pessoas sem um ou outro membro, ex-ladrões e mendigos e em especial uma outra garota manipuladora de sombras chamada Unuth, por quem ele iria se apaixonar com o tempo.
Zoroak e Unuth foram treinados pelo Mago e aprenderam com o tempo a não ver mais esse poder como maldição.
Mas mesmo com novos amigos nas florestas ocultas, Zoroak ainda sentia um vazio enorme dentro de si e resolveu certo dia partir em viagem pelo reino para procurar novos manipuladores de sombras e ajuda-los, igual o grande Mago o ajudara no passado.  Unuth, sua amiga e atual namora se animou e quis fazer companhia nessa viagem.
Não foi fácil como ele achava que seria. Zoroak e Unuth enfrentaram muitas dificuldades e apesar de encontrarem alguns manipuladores de sombras, foram decepcionados ao perceber que eles acabaram se tornando aquilo que todos falavam que eles eram, frios e sem coração e matando qualquer um que se aproximasse demais.
Com o tempo o coração de Zoroak foi se enchendo de tristeza e sofrimento novamente. "Talvez..."Ele pensava "Talvez nós sejamos assim mesmo, talvez seja pra isso que tenhamos recebido esse poder". Mas Unuth, com seu coração puro e sempre vendo o melhor em cada pessoa tentava tirar esses pensamentos de sua mente.
Em uma de suas viagens os dois jovens esbarraram em um antigo conjunto de relíquias antigas conhecidos como os anéis das sombras. Cinco anéis, cada um com um poder descomunal diferente. Tinha um anel que permitia dar vida a objetos inanimados, outro que transformava humanos em suas verdadeiras formas, que muitas vezes eram um animal ou planta, tinha outro que tinha a habilidade de silenciar seres vivos, deixando-os surdos e mudos, um outro permitia teletransportar o usuário para qualquer lugar que ele quisesse, desde que já tenha ido a aquele lugar anteriormente. E o ultimo anel que tinha o poder de tirar a vida de algo ou alguém, esse Zoroak e Unuth testaram em uma árvore e ao descobrir seu poder juraram nunca usa-lo.
Os dois jovens se divertiram com o novo poder, indo a todos os lugares que queriam e algumas vezes calando a boca de quem falasse mal deles. Zoroak usou o poder do anel da vida para criar uma cidade inteira de goblins feitos de pano que os ajudavam a conseguir comida novas ferramentas para conforto.
Com o tempo, Unuth percebeu que os anéis estavam consumindo a mente de Zoroak e ele estava cada vez mais insensível. Mais frio e sem se preocupar com ninguém além deles. Esqueceu completamente a missão de ajudar outros manipuladores de sombras e em algumas vezes até usava o poder dos anéis para transformar pessoas em insetos ou aves.  E algumas vezes ele não se importava em ferir gravemente aqueles que os desafiavam.
Os dois acabavam brigando feio e acabaram se afastando, cada um para o seu lado. Mas apesar da briga, Zoroak ainda amava Unuth, essa talvez seja a única pessoa com quem ele ainda se importava, então para que a jovem não se sentisse sozinha, deixou com ela o anel da vida.
As coisas só pioravam para o jovem com o tempo, só sofrimento, até o dia em que consumido pela raiva e lembranças do passado, ele resolveu se vingar de um antigo rei que o havia feito sofrer. E juntando o seu exército de goblins e alguns manipuladores de sombra de sangue frio que encontrava anteriormente começou o seu plano para atacar Atrox. O primeiro passo, foi usar o anel do Silencio em seu poder máximo para silenciar todo o reino.

Eric
O príncipe herdeiro de Atrox. Eric nunca gostou disso, não gostava do palacio, das obrigações e da formalidade a todo o tempo. Então sempre que possível ele ia vestido como plebeu para a cidade e ali aprontava e se divertia como uma criança normal. E em uma dessas fugas, o jovem acabou encontrando um garoto de cabelos longos desgrenhados que ganhava uns trocados tocando seu violino na praça toda manhã. Seu nome era Jefenir e era um dos músicos mais habilidosos que o jovem já tinha visto, melhor até que os que tocavam na corte. Sem perder tempo Eric logo pegou seu Alaúde e se aproximou de Jefenir acompanhando no instrumento a música que o violinista tocava. A sincronia foi imediata, era como se estivessem tocando juntos a vida inteira e desde esse dia se tornaram grandes amigos.
Eric se apresentou depois como sendo príncipe de Atrox, o que fez Jefenir relutar um pouco em ser seu amigo, até por que, um príncipe não deveria ser amigo de um órfão que vivia nas ruas.
Para resolver esse problema Eric no mesmo dia conversou com seus pais, que mesmo um pouco relutantes aceitaram conhecer o rapaz de que o filho falara. Eles relutaram um pouco, mas depois de ver o garoto tocar o seu pequeno violino acabaram aceitando ele na corte, desde que Eric começasse a se dedicar mais a seus deveres como príncipe e parasse de fugir para a cidade.
Como relutância ele aceitou. Mas claro que não durou muito, e depois de alguns meses os dois voltaram a fugir de manhã quando os guardas não estavam vendo (ou pelo menos fingiam que não viam) e se dirigiam para a praça ou para a taberna da cidade para tocar todos as músicas originais que escreviam juntos.
Essa era a vida que eles gostavam, viver da música era o sonho deles e por mais que o rei e a rainha proibissem isso não conseguiam conter o espirito rebelde dos jovens.
Jefenir e Eric tinham muitos amigos entre a realeza. Em especial com a familia de Lux. Eric sempre aprovou o relacionamento da irmã com seu amigo José. Ele admirava muito o amigo por suas habilidades com a espada e seu jeito de comandar soldados. O tipo de principe que todos queriam que ele mesmo fosse.
Quando Eric e Jefenir eram adolescentes (por volta de uns 17 anos) eles resolveram levar o seu talento para o mundo e partiram no meio da noite com os instrumentos. Seu objetivo era claro: viajar pelo mundo todo, viver todo tipo de aventura e levar sua música para todo canto.
Ele não acreditava que teria problema, até por que na pior das hipóteses José se casaria com Elizabeth e seria rei em seu lugar.

Lia
Nascida em uma humilde familia de Godres, a pequena Lia começou a apresentar sinais de surdes quando tinha 2 anos. Vitima de uma grave e desconhecida doença, os pais não tinham condição de manter uma criança com deficiência na época por muito tempo, então a mandaram para um orfanato em Atrox.
Lia não durou muito, ela odiava o lugar e a forma como a tratavam. Crianças normais eram tratadas das melhores formas e sempre conseguiam uma familia rapidamente. Muitas pessoas em todo o continente buscavam crianças para alegrar suas famílias ou ajudar nos deveres domésticos. Mas Uma criança com deficiência era vista com maus olhos e tratada diferente dos outros. Os seus professores simplesmente fingiam que ela não existia e simplesmente a alimentavam davam roupas e fingiam que não existia. Nem o nome na lista de chamadas a jovem tinha.
Com 7 anos, ela não aguentava mais isso, e fugiu de la. Algumas pessoas donas do lugar, até viram a jovem correr para longe, mas não fizeram nada. Pois não se importavam que uma criança deficiente e que nunca seria adotava morresse em algum lugar nas montanhas ou devorada por feras nas florestas.
Mas a sorte sorriu para a pequena garota. E quando estava ainda andando pelas florestas ocultas morrendo de fome, esbarrou um pequeno ajuntamento de cabanas, onde pessoas de todos os tipos andavam de um lado a outro apresadas.
A primeira que viu a garota se aproximando, foi uma outra jovem chamada Sandry, que tinha 15 anos na época. Sandry se aproximou dela falando perguntando quem era ela e o que fazia por ali. Mas Lia não respondia. Ignorava a jovem que se aproximava olhando para os lados distraída assim como tinha sido ensinada no orfanato.
Depois de olhar de perto, Sandry percebeu que a garota era diferente mas não sabia o que estava de errado com ela ainda.
Lia tentou responder, falar algo, mas não saiu nada que desse pra entender de sua boca. E logo Sandry entendeu, ela apontou para seu próprio ouvido e balançou a cabeça negativamente com expressão de interrogação.
Lia entendeu a pergunta, e acenou com a cabeça confirmando que não podia ouvir. Ela meio que já esperava que seria mandada embora dali, assim como aconteceu em alguns lugares por onde passava antes. As pessoas não gostavam e rejeitavam o que era diferente.
Mas Sandry sorriu para a pequena e a pegou pelo braço gentilmente e a levou para dentro da sua casa onde prometeu que teria algo para comer.
A pequena Lia estava cansada, a assim que acabou de comer Sandry a levou para sua cama para que dormisse um pouco.
Logo pela manhã quando acordou ela foi levada para o grande Mago que cuidava daquela floresta e que já tinha sido informado sobre a situação.
Lia nunca havia conhecido um homem mais amoroso que aquele. Ao olhar para ela ele já imaginava o que tinha acontecido. Ele conhecia muitos jovens que haviam fugido do orfanato em Atrox por serem diferentes e acolheu a criança. Ensinou ela a língua de sinais e disse que ela não deveria ter vergonha de usa-la com as pessoas da floresta, pois faria questão que boa parte deles dominassem essa língua também, apesar de saber que nem todo mundo ia se interessar por isso.
E em pouco tempo Lia começou a aprender sobre alquimia, ervas medicinais, matemática, línguas, histórias e tudo o que se ensinava para as crianças ali.
As florestas ocultas eram um lugar especial, onde o mago acolhia pessoas diferentes de todas as partes do mundo e as ensinava o que sabia para que pudessem ter uma vida normal e serem felizes com sigo mesmos. Logo, ninguém jugava a pequena Lia por ser diferente por ali. Até por que, todos eram diferentes, tinham cegos, pessoas sem um ou outro membro, mendigos, pessoas que foram exiladas de seus reinos e não tinham pra onde voltar. Mas ela era a primeira surda que recebiam, mas ninguém a tratava diferente.
As aulas eram difíceis, mas a professora (que no caso era a própria Sanndry) fazia todo o possível para inclui-la em tudo. E com o tempo, enquanto Lia ia crescendo, ela adquiriu o desejo de ajudar os outros, e então começou a estudar para ser uma curandeira. E a ideia foi muito bem recebida por todos os outros. Ela era inteligente, e aprendia rápido. Não demorou muito para ser uma das melhores curandeiras daqueles lugar.

Unuth
Seu pai era um valoroso soldado de Roklua, que tinha certa vez participado de um torneio de espadachins em Lux e ganhou o direito a tocar a pedra mágica e receber o seu poder da Luz que não demorou muito para se manifestar. Sir Joraq era o seu nome. Ele ganhou fama entre os soldados e era muito apreciado pelo rei de fogo. Com o tempo Joraq se apaixonou por uma camponesa de Roklua chamada Celina e depois de alguns meses de namoro acabaram por se casar. Todos diziam que eram um casal admirável. E por um tempo eram mesmo, mas com o tempo Joraq precisou sair mais e mais em missões enviadas pelo rei e via Celia poucas vezes no ano. Mas em uma dessas vezes, a adorável mulher engravidou, e o soldado só ficou sabendo da novidade quando já estava no sexto mês de gravidez. E claro, como todo o pai naquela época ficou todo animado, tendo certeza que era para nascer um menino que levaria o seu nome e seu poder. Os últimos três meses foram muito difíceis, mas Joraq fez o possível para permanecer ao lado da esposa. Ajudando a mulher em tudo o que ela precisava e mimando muito tudo, sempre gritando pela casa que seu menino estava vindo.
A decepção porem veio logo em seguida, quando Celia deu a luz a uma menina. Tão branca como a neve e cabelos tão loiros como ouro. Joraq não podia acreditar quando viu a criança e passou os próximos dois dias se lamentando pelo "má sorte" na taverna local.
Celia não estava tão triste com o ocorrido. Não era o menino que o pai esperava mas era forte, saudável e muito bonita. Com certeza iria dar muito trabalho no futuro. E ela sabia que com o tempo, o marido ia acabar apreendendo a ama-la. "Luz", esse era o nome que ela tinha escolhido e ia sugerir ao marido quando ele parasse de fazer birra e voltasse para casa.
Até que numa certa tarde o homem voltou e entrou dentro de casa cheirando a bebida forte. A mulher preocupada com o estado do marido, deu um banho nele  e trocou suas roupas antes de qualquer coisa e o botou para dormir.
Na manhã seguinte quando acordou, ela simplesmente fingiu que nada tinha acontecido e deu bom dia com toda a felicidade do mundo. Mas o marido não estava nada contente.
A mulher resolveu arriscar e disse que chegou a hora de escolher o nome da criança (apesar de já ter ela mesmo escolhido um perfeito que ela gostava e iria insistir nesse, mas queria ouvir uma sugestão do marido primeiro).
O homem respirou fundo, olhou para o pequeno ser no colo da mulher e respondeu. O nome dela vai ser Unuth".
"Que horror, gritou a mulher". Esse nome literalmente na linguagem antiga seria traduzido como inútil.
Unuth, é isso que ela é, disse o homem.
"Não, falou a mulher, vai ser chamar Luz, Já me decidi"
"Faça o que quiser" Disse Joraq levantando-se "Vou sair em missão de novo,  talvez um ou dois meses"
Celia não podia acreditar no que ouvia. Ele sabia que ele não queria uma menina mas isso era demais. Como ele podia sair e deixar ela sozinha quando o bebe era tão pequeno assim. Mas o homem não quis ouvir nada e ignorou o choro da esposa. Apenas pegou suas roupas e saiu.
E foi assim, Luz cresceu criada apenas pela mãe. E um pai ausente que passava a maior parte do ano fora e aparecia uma vez ou outra.
Eles tentaram ter outro filho, claro, mas sem sucesso. E com o tempo, até o amor que a pequena tinha pela mãe foi esfriando. Celia culpava a menina pela ausência do pai. E a garota percebia.
Ela era doce e gentil como a mãe. Mas também era forte e corajosa como o pai, e vivia dizendo que queria ser uma guerreira quando crescesse e proteger os mais fracos. Mas a mãe nunca aprovava e gritava com ela sempre que dizia essas coisas.
Em uma noite ouvi-se um barulho na porta. O pai havia chegado e a menina foi correndo recebe-lo (já que fazia meses desde a ultima aparição dele).
Mas a não foi uma boa recepção. Ele fedia a bebida forte novamente e estava visivelmente embriagado.
Sua mãe tentava conversar com ele, mas ele não parecia querer conversar e acabou agredindo a esposa que caiu no chão horrorizada. Luz sabia que isso já havia acontecido antes. Mas a pedido da mãe ela ignorou o fato da primeira vez. Mas agora, vendo isso acontecer na sua frente não teve escolha.
Seu coração se encheu de uma mistura de raiva, ódio e medo e ela partiu para cima do pai empurrando-o. O que ela não esperava é que acabasse jogando ele tão forte contra a parece que quase o matou.
Ela olhou para as próprias mãos e as viu rodeadas por uma névoa negra meio arroxeada. Ela se sentia diferente, mais forte, mais poderosa. E ao olhar para o espelho, viu seus olhos estavam vermelhos e seus cabelos tinham se descolorido um pouco. "A marca das sombras". Olhou para a mãe que estava horrorizada e para o pai caído no chão que também o olhava com indignação. Ou algo parecido, ela não distinguiu bem na hora, já que o homem estava bebado e ferido demais para se manter em pé.
Ela sabia o que isso significava, ninguém falava dessa possibilidade, mas ela sabia como os manipuladores de sombra eram tratados. Ela já viu o preconceito que eram vistos antes e sabia que a partir desse dia sua vida nunca mais seria a mesma e com lagrimas escorrendo pelo rosto correu para as florestas e por la ficou o resto da noite chorando.
No dia seguinte tentou voltar para casa, mas foi expulso pela mãe que a chamou de monstro e disse que era uma praga na vida dela.
Luz nunca mais foi vista depois disso. Passou a viver nas florestas se alimentando da agua dos rios e do fruto das arvores, sem coragem de olhar para outro ser humano novamente. Acabou adotando o nome que seu pai havia dado para ela originalmente, Unuth, pois agora, acreditava que não teria palavra melhor para descreve-la.
De vez em quando um jovem padeiro que ela conheceu certa vez na cidade e que descobrira onde ela vivia deixava um ou outro pão para ela. O que ajudava a não morrer de fome. Mas mesmo assim ela evitava falar com ele com medo de que as pessoas o odiassem também.
Depois de alguns anos vivendo dessa forma, Unuth acabou esbarrando em um homem bondoso no meio da floresta. Ele se chamava de o Mago, e assim como ela, era um manipulador das sombras. Mas para a surpresa dela ele mostrou que também podia controlar a luz. Isso a encheu de esperanças, pois até então acreditava que depois de despertar um dos elementos era impossível despertar o outro. O bom homem falou de um lugar onde ele poderia ensina-la se quisesse. Uma floresta para pessoas especiais perto de Atrox e que ela receberia ajuda la.
Cheia de esperanças e com felicidade novamente em seu coração Unuth seguiu o Mago por uma longa viagem que durou dias e dias intermináveis. Pelo menos para o mago. Pois a pequena jovem foi falando o caminho todo. Como se tudo que não pudesse ter falado em todo esse tempo sozinha na floresta ela estivesse botando para fora agora.
O tempo passou. E Unuth cresceu nas florestas ocultas até os 16 anos. Rodeada por amigos e pessoas que assim como ela tinham sofrido preconceito por suas diferenças.
Um certo dia, um outro jovem chegou a aquele lugar. Com cabelos prateados e olhos vermelhos ela logo soube que tipo de pessoa ele era. Um manipulador de sombras. E como um conto de fadas que ela sempre lia nos livros, ela se apaixonou a primeira vista por ele.
Seu nome era Zoroak e apesar de terem tido vidas muito diferentes eles tinham uma conexão especial. E com o tempo acabaram e se tornando melhores amigos ou... algo mais.
Certo dia, Zoroak falou sobre seu desejo de deixar a floresta e ajudar manipuladores de sombras e mostrar um novo caminho.
A jovem adorou a ideia. E mesmo parecendo um pouco maluca, era o tipo de coisa que ela sabia que precisava ser feito.  E assim, depois de pedir permissão ao mago e se despedir de seus amigos na floresta os dois partiram sozinhos pelo continente. Um sempre ajudando o outro.
Mas, não foi o conto de fadas que ela esperava. Os manipuladores de sombras não queriam ser ajudados. Queriam continuar no seu sofrimento e fazer as pessoas sofrerem com seus poderes. E Zoroak ficava muito abalado com isso. E era muito difícil acalma-lo as vezes.
Certo dia, os dois se deparam com um poder antigo misterioso que os atraia. Os cinco anéis das sombras com poderes especiais. Que usaram para tentar melhorar suas vidas e a dos outros a sua volta. Pelo menos esse era o plano inicial. Mas com o tempo Zoroak começou a usa-los apenas para beneficio próprio e para se divertir. Juntos, criaram uma nova raça, uma tribo feita de goblins de pano, que ganharam vida graças ao poder dos anéis. Eram criaturas fantásticas, espertas e dificilmente se abalavam com algo, apesar dela saber que tinha um pouco de maldade em suas ações de vez em quando. Talvez por conviverem demais com o criador deles.
Com o passar do tempo a jovem foi percebendo que Zoroak não era mais o mesmo. Estava frio e parecia estar gostando de usar o poder dos anéis para ver as pessoas sofrerem.
No começo ela não ligava de usar o anel para se vingar de um idiota ou outro que os incomodava ou fazia alguma maldade. Mas parece que agora o garoto tinha adquirido uma paixão pelo sofrimento alheio.
Ela tentou conversar com ele, tentou acalma-lo e lembra-lo da pessoa gentil que ele era, mas nada parecia adiantar. E o garoto pela qual ela se apaixonara estava cada vez mais distante.
O caminho mais fácil para ela no momento era cortar laços e se afastar. Ela chamou ele para uma conversar e disse que precisava de tempo longe dele, dos anéis, dos goblins e tudo isso.
Zoroak entristeceu-se, disse que iria mudar. Mas ela não caia nessa e disse que se quisesse mudar teria que provar isso para ela.
Os dois seguiram caminhos separados, mas para não deixa-la sozinha deu de presente o anel da vida e disse que quando ela precisasse conversar poderia criar um boneco de pano dele e dar vida usando o anel.
Unuth aceitou o presente e partiu em uma viagem sem fim pelo continente. Ela não era mais uma criança para se esconder nas florestas e chorar, ela sabia se virar agora. E também não queria voltar para as florestas ocultas. Não ainda.
Foi difícil viver sozinha agora, depois de tanto tempo viajando com Zoroak ela estranhava essa nova vida. E depois de algumas semanas, começou a se perguntar se tinha feito a escolha certa. Ela acabou indo parar em uma pequena cidade próxima a cidade Lux. Onde o povo parecia simpatico a principio. Mas logo que perceberam que ela era diferente começaram a olha-la com desprezo, se recusando ate mesmo a vender pães ou alugar um quarto numa estalagem que visivelmente estava vazia.
Ela estava acostumada com o tratamento, mas ainda assim seu coração se entristeceu. E começou a sentir saudades de seus antigos amigos e sua antiga vida. Ela sabia que se procurasse Zoroak ele a aceitaria de volta com braços abertos e beijos calorosos. Mas queria provar para ele e para si mesma que era capaz de se virar sozinha.
Depois de tanto andar meio a floresta a procura de frutas ela acabou indo parar num pântano cheio de lodo.
Um lugar no meio do nada escondido no meio das árvores. Ela já tinha ouvido falar daquele lugar. Diziam que o lodo daquele lugar tinha poderes curativos. Mas o lodo cheirava tão mal que ela não tinha coragem de experimentar.
Seu coração estava triste e ela sentou para descansar um pouco. Tudo o que ela sentia agora era saudade. Dos amigos na floresta, do mago e do jovem de cabelo prateado. E envolto em pensamentos adormeceu.
"Ola. Quem é voce?"Ela ouviu alguém perguntar.
Se levantou rapidamente, pegou a adaga que sempre carregava consigo e olhou para todos os lados a procura da voz misteriosa. Mas não encontrou.
"Aqui em baixo" Disse a voz. E ela se virou para o baixo.
Até que percebeu o que tinha acontecido.
No meio da grama tinha um enorme pedaço de lodo com um pequeno olho no meio que estava se mexendo observando ela.
De alguma forma ela tinha ativado o poder do anel da vida e dado vida aquele pedaço de lodo.
Bom, pensou ela. Pelo menos agora tenho com quem conversar.
Guardou novamente a adaga e se agachou novamente para falar com a criatura.
A conversa fluiu normalmente apesar das diferenças. A criatura apesar de nascer sem saber de nada basicamente, aprendia muito rápido. E conseguia facilmente arrancar risadas da jovem garota. E rapidamente os dois se tornaram amigos.
Ela começou a chama-lo de José em homenagem ao seu antigo companheiro de viagens. José Slime. Ele adorou o nome e passaram o dia conversando.
Unuth começou a olhar o lugar com outros olhos e com o tempo acabou por ter uma ideia meio louca. Assim como Zoroak tinha criado uma tribo inteira de goblins de pano, ela iria criar uma tribo inteira de slimes.
Então, tomando coragem, mergulhou a sua mão com o anel no lago de lodo do pântano, que em pouco tempo, começou a brilhar e a se mexer. Então, foi se separando em pequenos pedaços, mais ou menos do tamanho de José e rapidamente começara a andar e falar.
Foi muito reconfortante ver a cena e as pequenas criaturinhas se mexendo. Unuth, obviamente não tinha capacidade para criar todos os nomes de cada um. Então começou com nomes simples com Jorge, Fred... e acabou com nomes como Slime Padeiro, Slime Mestre e Slime verde purpura.
Os slimes eram rápidos e muito inteligentes. E por alguma razão estranha tinham alguns poderes especiais que nenhuma outra criatura que ganhou vida com esse anel tinha antes. Podiam mudar de forma, se mover extremamente rápido e alguns até manipular os elementos.
E graças a isso, ao invés de construir um simples acampamento como fizeram os goblins de Zoroak, os slimes conseguiram criar em poucos dias uma cidade inteira adaptada para eles.
E com o tempo, essas criaturinhas acabaram até mesmo fazendo amizade com os humanos que habitavam a pequena vila ao lado e os ajudavam em construção, negócios e outras coisas.
Mas claro. Como tudo o que é bom dura pouco Unuth não conseguiu aproveitar muito a companhia dos seus novos amigos. Certo dia um slime que tinha ido para a cidade ao lado trouxe para ela um jornal com noticias sobre Atrox e a misteriosa maldição misteriosa que deixou todo mundo sem falar ou ouvir nada.
E sem pensar duas vezes ela pegou suas coisas, sua adaga, suas roupas e José e correu para Atrox para tentar impedir seu antigo amigo de fazer algo estupido, se ainda não tivesse feito claro.

Garon
O jovem Garon sempre foi um ótimo guerreiro desde cedo. E graças as suas habilidades, se tornou um soldado de Atrox quando tinha apenas 17 anos e aos 19 já era um sargento de confiança do rei Aurix.  Em diversas ocasiões, o rei designava Garon como protetor da sua neta, a princesa Mercedes em viagens diplomáticas pelo reino ou caminhadas breves pelos campos da cidade. E estava sempre próximo dela para protege-la e ajuda-la em tudo o que precisava.
Mercedes por sua vez gostava da companhia do jovem de cabelos negros, apesar de ser bem calado e tímido na maior parte das vezes. E com o tempo essa amizade se transformou em paixão.
Aurix apoiava completamente o namoro dos dois. Mas seu filho Atonis que era pai de Mercedes não estava tão feliz assim, já que queria casar a filha com o jovem príncipe herdeiro do trono de Lux Astorn.
Atonis acabou aceitando o relacionamento por insistência do pai. Mas não gostava muito de Garon por ele ter vindo de uma familia humilde e sempre dava um jeito de deixar Mercedes sozinha com algum outro principe  de outro reino e dava indiretas dizendo que Garon não seria um bom rei.
O tempo foi passando e Aurix estava cada vez mais velho. Afinal, já estava no trono a quase 50 anos. E numa fria noite de inverno, deitou em sua cama e não acordou mais. Aurix não teve tempo de ver o pessoalmente o casamento da neta, mas disse várias vezes antes te-lo visto usando o poder secreto do Quartzo de Metal.
A pedra além de dar poder de manipular todo tipo de metal para quem a tocasse, também permitia breves vislumbres do futuro para o seu portador. E utilizando esse poder o rei Aurix acabou com muitas guerras antes de começarem e criou poderosas armas que deveriam ser utilizadas futuramente para vencer batalhas especificas.
Apenas o Rei de Ferro poderia usar esse poder e Atonis almejava o dia em que herdaria o trono e esse poder especial que vinha junto com ele. Mas pouco antes de se pai morrer, ele deixou uma mensagem ao filho dizendo para ninguém mais usa-lo sem explicar o motivo.
Atonis se revoltou mas por algum tempo acatou a ordem do pai. Pouco tempo depois ele foi coroado rei e ouve uma grande festa e comemoração.  Mas com o tempo, o homem foi mostrando que não era exatamente o que o povo esperava. Muita coisa que Aurix tinha feito anteriormente ele desfazia. Aumentou os impostos sobre o povo, começou discussões sem sentido contra seus aliados e até mesmo cancelou o casamento da filha com Garon que já estava até com data marcada.
O jovem, porém irou-se e desafiou o rei diante de todo o povo. Isso foi uma afronta que Atonis não pode recusar. Então anunciou que a mão da filha, iria ser dada ao vencedor do próximo torneio de Atrox e que faria questão que todos os melhores pretendentes e nobres de todo o reino participassem.
Garon aceitou o desafio e disse que venceria qualquer um pela mão da jovem que ele amava.
Mas Atonis era ardiloso e conhecia bem Garon. Ele sabia que tinha uma chance de ele vencer cada um dos competidores em combate então preparou um desafio completo.
Disse que aquele que iria se casar com sua filha tinha que ser um governante completo assim como seu pai era. Então o torneio envolveria provas físicas, intelectuais e artesanais.
Garon não se abalou e encarou o desafio. O jovem príncipe Astorn estava envolvido. E apesar de ser com ele que o rei queria casar a filha, Astorn não ousaria se envolver com o amor verdadeiro dos dois e muito menos contra algo que já tinha sido decretado certo pelo próprio Aurix a quem todos respeitavam. E assim como muitos outros participantes, sempre que podia dava um jeito de "se descuidar" e acabar perdendo a competição de propósito.
Não teve jeito, Garon foi o vencedor e o casamento aconteceu. E durante vários meses Atonis teve que aturar o novo genro e conviver com ele no palacio todos os dias.
Garon então recebeu o poder de manipular metais e aprendeu rápido a como usar esse poder. Foi o primeiro entre todos os antigos reis e príncipes que conseguiu usar essas habilidades em batalha.
Mas a paz durou pouco. Houve uma revolta nas montanhas e alguns dragões que ali viviam resolveram atacar  a cidade de Zorah. Foi uma batalha difícil e o rei do Ar que governava aquela cidade pediu ajuda a seus aliados mais próximos, incluindo Atrox.
Atonis viu isso como uma oportunidade de mostrar que era um rei forte e se prontificou a derrotar os dragões. Mas ele queria que fosse espetacular igual seu pai fazia antes. Se pudesse achar um jeito de vencer essa guerra sem precisar lutar seria até melhor.
Então desobedecendo as ordens do pai, Atonis usou o poder do Quartzo para tentar ver o futuro dessa batalha. Mas o resultado não foi como o esperado e o poder da pedra foi demais para o rei. Consumindo a sua mente e destruindo o seu ser, o poder o deixou em estado vegetativo, imóvel sem conseguir falar ou se mover. Preso pelo resto da vida em visões intermináveis do futuro.
O rei foi achado horas depois caído ao lado da pedra e logo foi levado aos melhores curandeiros de todo o reino. Mas ninguém conseguiu desfazer o que foi feito e muitos disseram que o melhor seria mata-lo e acabar com o seu sofrimento. Mas a princesa jamais permitiria tal barbaridade.
A guerra só ia piorando cada vez mais e Atrox precisava de um líder. E foi a vez de Garon assumir esse posto. Liderando o exército de Ferro para as montanhas, o jovem rei conseguiu resolver esse conflito apenas negociando com as feras que ali viviam. Criando um tratado de paz e ajudando os dragões de vez em quando, mesmo que muitos não gostassem disso.
Garon governou Atrox por longos anos e foi sempre lembrado como um rei forte e justo. Restabeleceu o reino a como era antes de Atonis assumir, fez novas alianças com reinos além do continente e junto com sua esposa Mercedes teve dois fortes e valentes filhos. Um garoto chamado Eric e uma princesinha chamada Elizabeth.

Elizabeth
Muitos dizem que a jovem princesa de Atrox é a maior artesã de todo continente e muitas vezes tem o seu trabalho comparado com o do seu próprio bisavô Aurix. E com apenas 12 anos de idade ela já construía maquinas complexas, armas poderosas e  vários instrumentos que facilitavam a vida cotidiana do povo.
Sua maior criação foram grandes marionetes de metal que eram controladas pelo poder da "marca de Metal". Eram fortes e poderosas o bastante para serem utilizadas em construções, transporte e até mesmo batalhas. E se baseando no trabalho dela que 200-300 anos depois surgiriam os primeiros rôbos no continente.
Passava maior parte do seu tempo livre em sua oficina no palacio construindo maquinas. Mas sempre sobrava algumas horas para sair para se divertir com os amigos  e família. Gostava de andar a cavalo, voar nas maquinas de sua família e andar pela cidade para comprar novas peças e bugigangas. Principalmente se o príncipe José estivesse por ali.
José e Elizabeth sempre foram muito amigos desde crianças. E sempre sempre tiveram uma forte ligação. E com o tempo enquanto foram crescendo um sentimento novo surgiu entre os dois.
Elizabeth era bonita e sempre teve muitos pretendentes mas seu coração sempre pertenceu a seu amigo de infância. José era o único que a entendia e conversava com ela de igual para igual. E não ligava dela estar toda suja de graxa o tempo inteiro e com o cabelo e roupas bagunçadas.
Não poderia haver uma união melhor. José era o herdeiro ao trono de Lux amado por todo o povo e essa seria a oportunidade perfeita de unir as duas famílias.  Então o pedido de casamento foi aceito com muita alegria por suas famílias.
Estava tudo planejado. A jovem sonhava com isso a bastante tempo e já tinha tudo em sua cabeça, a decoração, as luzes e até já tinha desenhado o vestido que usaria em sua festa.
Porém o inesperado aconteceu. Em uma de suas viagens, o príncipe acabou perdendo um de seus melhores amigos e também mentor e isso mexeu muito com ele. Mexeu tanto que acabou despertando a marca das sombras e claro, acabou mudando completamente o rumo de tudo.
Seus pais assim que descobriram, trancaram a jovem em seu quarto e a proibiram de ver seu noivo. O rei Garon foi pessoalmente a cidade Lux para falar com José e desmarcou o casamento. Disse coisas horríveis a ele e o proibiu de pisar no reino de Atrox novamente. Inclusive mentiu dizendo que a própria princesa detestava o que ele tinha se tornado e que não queria vê-lo nunca mais. E poucas semanas depois, ouviu-se a noticia de que José estava morto.
Elizabeth não podia acreditar no que estava acontecendo. Parecia um pesadelo que não acabava nunca. Ela passava o dia deitada em sua cama e desde aquele momento nunca mais tentou construir nada com as próprias mãos.
Sua família e todos os criados do castelo tentavam alegra-la de alguma forma mas era tudo em vão, a dor da perda tinha sido grande demais.
Meses se passaram e as coisas foram melhorando. A princesa decidiu seguir em frente, ela precisava seguir em frente. Precisava de novos ares longe do castelo já que tudo ali a lembrava do que havia perdido.
Então pegou suas coisas mais importantes e se mudou para o palacio de Godres por sugestão da rainha sua mãe. Um lugar pacifico e agradável, cercado por bons amigos de infância e alguns parentes distantes.
E foi la que ela foi aos poucos recobrando a vontade de viver novamente. Seu amigo Horacio o príncipe de Godres a ajudou muito a se recuperar, sempre fazendo brincadeiras para faze-la sorrir.
Certa vez, seu irmão o príncipe Eric que havia fugido de casa anos atras, fez uma visita para ela no palacio de Godres entrando secretamente em seu quarto vestido como empregado. Os dois conversaram durante horas e isso a ajudou muito a superar o que havia acontecido e seguir em frente.
Com o tempo Elizabeth resolveu dar uma nova chance para o amor e acabou se casando com Horacio.
Não ouve festa nem nada parecido com isso. Nem mesmo foi anunciado para o povo que a princesa estava se casando. Ela não se sentia totalmente recuperada para tentar algo assim de novo. Mas só um banquete junto de sua família e a de seu noivo já foram o bastante para alegrar o coração da princesa.
Elizabeth e Horacio viveram juntos em Godres por um bom tempo e não voltaram a Atrox até o dia em que o reino realmente precisou da ajuda deles.

domingo, 5 de agosto de 2018

O ataque

Palavras no Silêncio capitulo 10

"Relatório de Fred o soldado real para o rei Garon de Atrox"
Data: Quarta-feira, 29 de outubro de 251, Era dos Reis



Vida longa ao rei de Ferro

Como você deve se lembrar dos meu últimos relatórios, as coisas estavam extremamente tranquilas em Linoá. A vida seguia normalmente. As pessoas viviam suas vidas como antes e nenhum dos habitantes ou viajantes parecia demonstrar comportamento suspeito.
Mas isso mudou hoje pela manhã. Ao nascer do sol enquanto a maioria dos habitantes dormiam e os soldados estavam cansados da patrulha noturna um pequeno incêndio começou em uma das casas mais afastadas da cidade.
Os dois soldados que estavam de guarda naquela hora foram correndo socorrer os morados daquela casa foi pouco depois de terem apagado o incêndio que encoraram os responsáveis. Próximo a florestas eles avistaram pequenas criaturas verdes aparentemente feitas de algo similar a pano e com botões no lugar dos olhos.
Eles pareciam inofensivos então John, um dos soldados se aproximou e tentou chegar perto da criatura. Mas o monstro pegou uma faca de sua cintura e apunhalou John no pescoço que infelizmente não sobreviveu.
Seu companheiro vendo aquilo empunhou sua espada e atacou os monstros enquanto os dois moradores da pequena casa na floresta foram chamar por ajuda.
Eu estava dormindo na pousada quando fui acordado pelos moradores desesperados pedindo ajuda. Admito que demorei um pouco para entender o que eles falavam, mas assim que percebi que o assunto era sério peguei minhas armas e armadura e sai para fora.
E quando sai, a tranquila e pacata cidade de Linoá tinha se transformado em uma bagunça só. Tinham casa pegando fogo, pessoas correndo e monstro verdes feitos de pano destruindo tudo o que viam pela frente.
Peguei minha espada e ataquei o primeiro monstro que vi pela frente. Mas ele era rápido. Muito rápido. Ele se defendeu com uma faca de caça e me deu um chute com a perna que me fez recuar alguns passos. Depois Pulou para cima de mim com a faca, mas eu desviei e o golpeei no pescoço. E assim que o acertei seu corpo perdeu totalmente a vida e ele se transformou em um punhado de pano cheio de areia, como qualquer outro brinquedo de criança.
Aquilo foi muito estranho, mas eu não tinha tempo para pensar nisso. Eu junto com os soldados começamos a revidar o ataque das criaturas verdes que aparentemente eram muitas. Alguns morados como o comerciante Bill pegaram armas improvisadas e se juntaram a batalha. Mas não estávamos levando a melhor. Além de pequenos e rápidos eles também eram muito fortes e estávamos tendo dificuldades.
Eu estava cansado e a maior parte dos soldados estava caídos no chão inconscientes ou sem vida.
Ataquei o próximo monstro que apareceu na minha frente mas ele desviou fazendo umas acrobacias malucas para trás e pulou com tudo para cima de mim com um chute bem na cabeça.
Não lembro de muita coisa depois disso, tudo ficou embaçado e eu achei que iria morrer. E foi ai que vi um vulto azul na minha frente e de ter pedido ajuda. Acordei no dia seguinte ao ataque assustado, totalmente confuso e sem saber onde estava. Descobri que tinha voltado ao meu quarto na pousada e fiquei ali me perguntando se tudo tinha sido um sonho. Mas se fosse, por que minha cabeça estava enfaixada e doendo tanto.
Coloquei meu uniforme mais básico e sai do meu quarto. Encontrei a senhora Meredith tomando um copo de café na entrada da pousada.
Cumprimentei ela que ficou feliz em me ver de pé. Me deu um abraço e me ofereceu uma xícara de café também. E só depois de ter certeza que eu estava me sentindo melhor me contou o que aconteceu.
Ao que parece, depois que eu e os outros soldados foram derrotados, um jovem com uma espada um tanto quanto diferente apareceu e derrotou todos os monstros que o povo passou a chamar de goblins, por causa das histórias e contos antigos.
Parecia uma história de fantasia, ninguém sabe muita coisa sobre ele, apesar de todos já terem o visto andando pela cidade e fazendo perguntas. Dizem que lutava de um jeito sem igual e que facilmente venceu goblin por goblin, salvando assim a cidade.
Não sabemos quem era ou seu nome, apenas o sinal que todos estão usando para se referir a ele "Guerreiro azul".

Estamos com poucos soldados em Linoá depois do ocorrido, solicitamos reforços o mais rápido possível e pedimos também que fique de olho nas outras cidades de Atrox pois se atacaram por aqui todo o reino pode correr perigo.

Atenciosamente Capitão Lars


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O anel do Silêncio

Palavras no Silêncio capitulo 9

"Página retirada do livro - Relíquias sombrias de Aurix no ano de 52 da Era dos Reis
Capitulo 4 - O anel do Silêncio"

A algum tempo atrás um poderoso mago vindo do território sombrio desafiou o rei Aurix para uma batalha de vida ou morte.
Aurix que nunca gostou de batalhas e recusou o desafio e não permitiu que nenhum de seus guerreiros de confiança aceitassem o desafio em seu lugar.
O mago irou-se e usando o poder de um anel mágico forjado com o poder de uma pedra sombria extremamente poderosa jogou um feitiço sobre a cidade de Atrox deixando o povo da capital, totalmente sem poder falar ou ouvir durante um dia inteiro.
O mago então disse que só iria desafazer a maldição se o rei Aurix aceitasse o seu desafio e lutasse até a morte com ele.
O rei relutou, mas ao perceber a confusão que sua cidade havia se transformado, chamou seus melhores magos e estudiosos para tentar reverter a magia do anel. E durante um dia inteiro eles tentaram, mas em vão.
Depois de ter perdido as esperanças em sua tentativa de reverter a magia, o rei Aurix chamou o seu melhor guerreiro e companheiro de antigas aventuras que pegou sua espada e sua melhor armadura e se encontrou com o mago para uma batalha as portas do castelo pouco antes do pôr-do-sol.
Foi uma luta difícil. Além do anel do silêncio, o mago possuía outros quatro anéis, cada um deles com um poder assustador diferente e que juntos possuíam um enorme poder sombrio, capaz de distorcer a realidade de uma forma nunca antes vista.
O guerreiro que nunca tinha visto nada igual antes teve dificuldades nessa luta. Mas armado pela lendária Espada do Herói forjada pelo rei ele conseguiu vencer.
O campeão de Aurix venceu o mago e o obrigou a restaurar a cidade e seus habitantes ao normal. O mago então foi expulso de Atrox e desde então nunca mais foi visto. Assim como nunca mais se ouviu falar de uma magia semelhante aos cinco anéis sombrios que ele carregava consigo.

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O músico e a enfermeira

Palavras no Silêncio capitulo 8

"Carta escrita pela enfermeira Lia durante sua estadia em Linoá para sua amiga Sorius nas Florestas Ocultas"
Data: Terça-feira, 28 de outubro de 251, Era dos Reis



Olá minha amiga, tudo bem?

Faz um tempão que não te escrevo para te contar as novidades. Mas a verdade é que desde que cheguei aqui não tive muita coisa interessante sobre o que escrever. Meus estudos sobre o silêncio misterioso que nos atingiu não tiveram nenhum resultado. Não até hoje pelo menos.
Vou começar do começo por que é muita coisa para contar. Atenção amiga.
Cheguei em Linoá a alguns dias átras e fui muito bem recebida. Meus antigos amigos aqui me ajudaram bastante em tudo o que precisei. A bibliotecária, a senhora Nora me recebeu de braços abertos toda animada. Ela esta me ajudando muito na busca por informações nos livros aqui. Até me arranjou um lugar num quartinho nos fundos da biblioteca para eu não ter que pagar a estadia na pousada durante esses dias.
E sempre que sinto fome dou uma passada na loja do irmão do Dill. Eles são bem parecidos, ambos morenos, fortes e sorridentes. O sr. Bill gosta de conversar e tem cada história louca que você nem acreditaria. Depois te conto os detalhes.
E assim fui passando os dias por aqui. Mas as coisas começaram a mudar mesmo foi hoje pela manhã.
Chegaram algumas pessoas estranhas aqui em Linoá quase junto comigo. Tem um cara estranho que esta sempre lendo liros aqui na biblioteca que se chama Auron. Ele esta sempre de azul, uma meia armadura, cabelos loiros compridos, usa carrega uma espada meio diferente. Admito que ele me assusta um pouco.
E tem também um músico que esta sempre andando por aqui parecendo meio perdidão da vida. Cabelos loiros também, uma camisa verde meio desbotada e carrega um alaúde que ele vive dedilhando mesmo  sabendo que não tem ninguém escutando. Veio junto com um amigo violinista que quase não sai da pousada.
Ele tentou puxar conversa comigo a alguns dias atrás. Que vergonha alheia eu senti naquela hora.
Tentou falar mas parece que se tocou que eu não podia ouvir, e depois tentou usar a linguagem de sinais mais estranha que eu já vi. Acabou se enrolando todo e de vergonha saiu correndo.
Não entendi direito se queria pedir alguma coisa, uma informação ou se era só louco mesmo.
Mas hoje o garoto loiro veio falar comigo na biblioteca. Eu estava estressada. Tinha lido quase um livro todo sobre poções e objetos mágicos e não encontrei nada que pudesse deixar alguém surdo. Foi quando ele se aproximou todo tranquilo e começou a sinalizar o que queria. Diferente do primeiro garoto ele era muito bom com os sinais e dava para entender perfeitamente.
"BOM DIA. EU VER-VOCE DIA-DIA AQUI. VOCE PROCURAR O-QUE? EU POSSO AJUDAR?" Foi mais ou menos o que ele tinha sinalizado.
E eu só respondi: "SÓ PROCURAR RESPOSTAS."
Então começou a me perguntar coisas simples, como meu nome, se eu morava por ali. Eu respondi por que sou educada claro. Mas estava achando que ele estava dando em cima de mim e apesar de ser bonitinho, não fazia meu tipo. E além do que não era hora para isso, tinha coisas mais importantes para fazer. Então resolvi dar um basta e respondi.
"VOCE LEGAL. MAS AGORA EU PRECISAR TRABALHAR".
Ele se enroscou todo mas respondeu.
"OBRIGADO. VOCE SIMPATICA." Ele apontou para o cara do alaúde que estava algumas mesas ao lado escondido atras de um livro sobre dragões antigos que por sinal estava de ponta cabeça. Aquele cara não tinha jeito mesmo. "ELE GOSTAR VOCE." Auron concluiu.
Ele pegou uma carta que aparentemente era do outro cara e me entregou. Disse para mim ler depois.
Olhei para carta. Olhei para Auron. Olhei pra carta de novo. Olhei pro cara do Alaúde.
Ai ai. Esses homens viu.
Guardei a mensagem para não parecer grossa e voltei a olhar para o livro. Devo ter ficado um pouco vermelha então tentei disfarçar. Não era hora para isso. Dei uma espiada rápida e só vi o músico olhar pra mim e sorrir. Fiquei com vontade de jogar um livro na cabeça dele? Talvez. Mas ao que parece ele não vai desistir de me encher a paciência. Auron voltou para minha mesa e jogou na minha frente um livro velho e empoeirado, sem sinalizar nada e depois simplesmente fez um sinal de agradecimento a bibliotecária Nora e saiu.
Olhei para o livro e vi que era justamente o que eu estava procurando: "Relíquias sombrias de Aurix". E estava justamente aberto em uma página que falava a respeito de um objeto chamado "Anel do Silêncio".
Não vou conseguir escrever aqui tudo o que estava escrito nesse livro mas resumindo minha amiga. Tenho uma ideia agora de o que pode ter causado essa maldição. Avise ao grande mago que estou retornando e em breve estarei ai com grandes novidades.

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O Gato

Palavras no Silêncio capitulo 7

"Página retirada do diário do Gato"
Data: Segunda-feira, 27 de outubro de 251, Era dos Reis



Meu Queridíssimo diário

Mais um dia super normal nesse fim de mundo, mas eu sobrevivi. Pra começar meu dia, lá vem ele, sim, meu arque inimigo de novo, o Cachorro. Começa a gritaria logo cedo. Hoje em dia não se pode nem mais dormir até as 14 horas da tarde sem te encherem o saco. O motivo não sei. Antes ele começava a latir sempre que entra alguém novo aqui na nossa casa. Mas agora que bateu um silêncio gostoso aqui na cidade ele começa a empurrar tudo, fazer a maior bagunça e incomodar todos os animais da lojinha. 
E a Larissa nossa dona / minha escrava nem liga muito. Ela parece preocupada com outras coisas. Tipo, não ouvir, não fazer barulhos estranhos de humanos. Se eu tivesse sentimentos estaria com pena dela. Mas como não tenho só aproveito o silêncio pra dormir mais.
Enfim, vou continuar falando do meu dia horrível. Acordei e tinha um pedaço enorme de peixe pra eu comer e uma tigelinha de leite. Acho que foi sobra do restaurante que os humanos não quiseram. Não entendo eles. Peixe é bom de qualquer jeito.
Depois, fui dar um passeio pela cidade, ver como estava o pessoal. Passei em frente da loja do Bill para ver como estavam as coisas e ele me deu uns biscoitinhos deliciosos. É incrível como os humanos se encantam fácil com a minha beleza. Todos menos a humana que cuida de uns negócios estranhos que os humanos gostam de passar o dia todo olhando, acho que se chamam livros. A senhorinha sempre começa a espirar quando eu estou perto. E claro, eu adoro ficar perto dela e vê-la sofrer até ela me botar pra fora.
Depois dei uma passada na loja de penhores ver meu amigo lá. De todos ele é meu humano favorito. Esta sempre vestido de preto com pelos cumpridos na cabeça e quase nunca diz nada. Se eu fosse um humano ia querer ser igual a ele.
Tinha umas pessoas novas hoje. Primeiro vi um humano novo com cabelos amarelos e uma espada enorme e brilhante nas costas. Ele chegou na loja pedindo informações para minha escrava sobre alguma coisa usando aquela linguagem estranha que os humanos encontraram para se comunicar usando as mãos e saiu desapontado. Não entendi o que era e nem tentei, não tem por que gastar meus neurônios felinos para entender a raça inferior. Mas o cachorro parece ter gostado dele. Ficou abanando o rabo quando ele entrou e triste quando saiu.
Depois tinham aqueles humanos que faziam música que passaram por aqui. E por um micro segundo senti falta de ouvir as coisas, só pra poder ouvir eles tocarem.
Chegou uma humana nova também que passa o dia olhando para aquelas coisas estranhas de papel que eu falei antes. E parece que um dos humanos que faz música esta gostando dela. Só falta abanar o rabo. Mas a outra humana nem da bola.
Fora os humanos que chegaram aqui vestidos cheios de armaduras e coisas de ferro. Com armas pontudas e umas roupas laranja por baixo. Eles me dão medo.
Mas a parte mais estranha do meu dia, foi quando cansei de ver humanos e decidi dar uma volta na floresta ao lado da cidade. Só pra distrair a mente e ver se encontrava alguma frutinha gostosa.
Mas enquanto eu estava andando devagar, percebi que tinha alguma coisa me observando. Não, não uma, mas várias. Na hora pensei que eram só mais humanos e então nem ligue, deixei eles apreciarem minha beleza e fofura. Mas quando parei as margens de um rio para tomar um pouco de água. Algo tentou me agarrar por trás. Me esquivei claro. Ninguém consegue capturar o gato. 
E foi ai que percebi. Eles não eram humanos, nem nenhum tipo de animal que eu conheça. Eram verdes, se vestiam mal, cheiravam mal, andavam todos desengonçados e parece que tinham botões no lugar de olhos.
Não me lembro bem mas acho que eram três, mas talvez tenham mais alguns escondidos. 
Todos armados com espadas e alguns uma pequena faca de caça na cintura. Tentaram me capturar de novo e eu dei uma de minhas fantásticas acrobacias para trás. 
Ele disse alguma coisa que não ouvi obviamente. Mas o estranho é, eles podiam falar. Sai correndo sem olhar para trás enquanto eles corriam atras de mim. Até que finalmente voltei para a loja de animais e pulei no colo da Larissa. Ela me abraçou forte e me acariciou como uma boa humana e ainda me deu outro peixe.
Acho que eles desistiram depois disso, não vi mais daqueles bichos feios depois. Mas a experiencia foi assustadora o bastante para eu não conseguir dormir bem a noite.

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quarta-feira, 16 de maio de 2018

O comerciante

Palavras no Silêncio capitulo 6

"Carta escrita por Bill o comerciante de Linoá para Dill seu irmão nas florestas ocultas"
Data: Segunda-feira, 27 de outubro de 251, Era dos Reis



Olá querido irmão, como estão indo as coisas por ai?

Aqui em Linoá a situação começou a melhorar um pouco desde a minha última carta. No começo, passar o dia inteiro sem conseguir falar ou ouvir foi terrivelmente assustador. mas depois de uma semana vivendo assim as coisas não pareceram mais tão ruins. Esta pequena cidade nunca esteve tão calma.
Tive uma ideia genial aqui para minha loja que acho que você vai gostar. Na frente de cada produto aqui nas prateleiras coloquei um pequeno papelzinho com o nome do produto, o preço e o desenho do sinal utilizado para representar o mesmo.
Larissa, a nossa amiga que é veterinária e dona da loja de animais e aquele cara misterioso da loja de penhores que eu não sei o nome parecem ter gostado da minha ideia e fizeram o mesmo com o comercio deles.
Isso parece ter ajudado muito na hora de vender a mercadoria para aqueles que já moravam aqui e ficaram surdos com esse feitiço doido e para os viajantes de fora que não foram afetados pela magia.
E falando em viajantes de fora vamos as novidades
Ontem coincidentemente quatro viajantes diferentes chegaram aqui praticamente ao mesmo tempo. Um deles era uma amiga sua das florestas ocultas, uma jovem adorável de cabelos castanhos chamada Lia. Ela passa o dia todo trabalhando duro buscando informações sobre feitiços que deixam pessoas surdas na biblioteca local e de vez em quando passa aqui para comprar alguma coisa para comer e jogar conversa fora.
Recebemos também a visita daqueles dois músicos que cantavam aquelas músicas diferentes da cidade grande que faz as pessoas daqui virarem a noite dançando, acho que os nomes deles era Jefenir e Eric. Admito, sinto falta até mesmo daquele barulho que eles faziam que não me deixava dormir. Se hospedaram na pousada da velha Meredith e parece que vão ficar por aqui por mais alguns dias, eu só não entendi realmente o motivo disso. No lugar deles eu já teria pegado minhas coisas e ir tentar ganhar dinheiro em uma dessas cidades grandes que ainda podem ouvir.
E o quarto viajante, é talvez o mais misterioso de todos eles. Nunca o vi por essa cidade antes e por nenhuma outra que já tenha visitado. Mas é um jovem, acho que quase da idade dos outros, de cabelos loiros até a altura dos ombros, roupas azuis, uma meia armadura e uma espada longa que ele carrega pra cima e pra baixo presa em suas costas. Esta hospedado na pousada da Meredith também e assim como a jovem Lia passa o dia focado nos livros. Passou aqui hoje de manhã para comprar água, comida e algumas roupas, seja o que for que ele esta fazendo aqui parece que está planejando uma longa viagem pela frente. Perguntou também pra mim e pra cidade toda se eu sabia algo sobre esse feitiço, o que é claro que não sei.
Além desses quatro, a uns três dias atras chegou uma tropa de soldados que o rei mandou para cá. Eles passam o dia vigiando as entradas e saídas da cidade e acabando com a comida do restaurante local.
Muitas coisas estranhas estão acontecendo por aqui e estou com uma sensação estranha de que tem algo mais pra acontecer, talvez seja só um pressentimento ruim ou talvez seja algo sério de verdade, mas quando eu tiver novidades enviarei outra carta para você. Até lá, espero também receber uma carta sua.

Um abraço de seu querido irmão Bill.

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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Trovadores

Palavras no Silêncio capitulo 5

“Página retirada do diário de Jefenir o violinista”


Querido diário,

Hoje foi com toda a certeza o pior dia de nossas vidas nesses longos anos desde que decidimos deixar nossa casa e sair pelo mundo mostrando nossa música para as pessoas.
Eu e meu companheiro de viagens Eric tínhamos passado os últimos 17 dias em turnê pelo reino de Anoth. Tocando em um palco diferente toda a noite, e já estávamos cansados do calor insuportável e areia sem fim dos desertos daquela terra. Então resolvemos voltar a nossa terra natal no reino de Atrox para podermos descansar e tocar mais um pouco para os antigos amigos que deixamos para trás em troca de algumas moedas.
E assim fomos. Foi uma alegria muito grande quando logo pela manhã avistamos no horizonte uma grande torre de vigia e vários telhados de casas de madeira rustica que fazem parte da cidade de Linoá.
Eric, impulsivo como sempre não se conteve, fez seu cavalo galopar a todo vapor em direção a praça da cidade, e claro eu tive que sair correndo atrás para não perder ele de vista.
Linoá era uma cidade pequena e não tinha um teatro ou lugar próprio para apresentações artísticas como as grandes cidades de Atrox, Anoth ou Lux. Então sempre quando passávamos por lá nos apresentávamos na taverna / pousada de nossa amiga Meredith. Mas, como era de costume, antes de qualquer tarde de apresentações, tínhamos que avistar ao povo da cidade que havia trovadores por aqui. Então, sempre quando chegávamos em uma cidade, fazíamos uma pequena palinha na praça central ou em um lugar onde tenha grande quantidade de pessoas.
E assim fomos. Paramos na pequena praça da cidade em frente a torre de vigilância e desmontamos as nossas coisas, amarramos os cavalos ali perto, tomamos um gole de água, e pegamos os nossos instrumentos que por sinal já estavam um pouco desafinados devido a mudança de temperatura durante a viagem.
“Vamos lembrar a essa gente do interior o que é música de verdade”. Disse Eric convencido enquanto pegando seu Alaúde e se dirigindo em direção ao centro da praça.
Ele começou a dedilhar a introdução da música “A cidade que tudo vê” de nossa autoria e eu entrei logo em seguida fazendo a melodia no violino. Não era uma de nossas músicas mais animadas, mas era a favorita daquele povo pois escrevemos ela justamente em homenagem a cidade de Linoá e sua torre de vigilância que tinha a melhor vista de todo aquele reino.
A música estava seguindo normalmente, e estávamos tocando até melhor do que nas últimas vezes em que passamos ali. Mas, de repente no meio dela acabei percebendo que estava tocando sozinho. Olhei para o lado sem parar de tocar e percebi que meu parceiro estava imóvel. Pensei logo “Po Eric, agora não é hora de ter medo do palco e ficar nervoso”, mas sabia que não era isso que estava acontecendo. Parei de tocar também e olhei ao redor, e para minha surpresa percebi que não havia ninguém prestando atenção na gente. Havia muitos rostos familiares ali, o vendedor Bill, as crianças o cara da loja de penhores que eu nunca lembrava o nome, todos os rostos que outrora ficavam encantados quando tocávamos nossa música agora pareciam que nem tinham notado que estávamos aqui. Ou se notaram estavam fingindo que não existiamos. O que seria impossível já que estávamos tocando absurdamente alto.
Bom, para não dizer que não tinha ninguém dando bola pra gente, passou uma menininha com tranças que passou pela gente com uma cara de tristeza e saiu correndo.
“Que pesadelo é esse? O que está contendo aqui?” Eu perguntei assustado.
Então Eric me respondeu: “Não é óbvio bro. Eles enjoaram da gente. Nossos 15 minutos de fama acabaram e nossa carreira também”.  Sempre gostei do jeito otimista de Eric ver as coisas, mas tinha certeza que não era isso. Não fazia sentido ser isso, ninguém em sã consciência enjoaria de ouvir a gente. Algo tinha acontecido em Linoá enquanto estávamos fora.
Nesse momento, uma mão gelada pousou em nossos ombros. Olhei para trás assustado e me deparei com o rosto da velha Meredith. Que tinha agora uma expressão de tristeza e pena. Diferente da doce e alegre senhora que me lembrava da última vez.
Ela começou a andar em direção a pousada e fez um sinal com as mãos para que a seguíssemos, tudo isso sem dizer uma única palavra. Eu e meu companheiro trocamos olhares, isso estava estranho demais, Meredith geralmente não parava de falar. Mas a seguimos mesmo assim e entramos na pousada.
Ao chegarmos lá ela fez alguns sinais estranhos com a mão com expressão de interrogação.
“Desculpe amiga, não estendemos de língua de sinais, não dá pra falar com a gente normalmente é isso”? Perguntei, mas ela parece não ter entendido o que eu disse. Ela foi para a mesa de recepção, pegou um caderno e uma pena e escreveu um resumo do que estava acontecendo e deu pra gente ler.
“Seguinte, não é uma boa hora pra vocês aparecerem aqui. Tá todo mundo surdo e mudo por essas bandas. Ninguém sabe o porquê”.
“Como assim ta todo mundo surdo”? Perguntou Eric assustado.
“Acho que quer dizer que ninguém pode falar ou ouvir a gente”. Eu respondi tentando manter a calma. “Como isso pode ser possível”?
Meredith deu de ombros provavelmente não entendeu uma única palavra do que a gente disse, e então voltou a fazer os seus afazeres na pousada / taverna.
Eu e Eric saímos dali assustados conversando sobre o ocorrido e olhando para os cidadãos perto pra ver se era verdade, e aparentemente era mesmo.
“O que fazemos agora”? Perguntei.
“Não é óbvio? Temos que encontrar quem fez isso com nossa terra e bater nele até que ele desista e faça todo mundo ouvir de novo. Depois voltamos aqui e fazemos um show de comemoração.
“Acho que o rei já deve estar trabalhando para resolver isso” Meu amigo só deu risada quando eu disse isso.
“Ele é um idiota. Deve estar dando muros na parede e destruindo tudo sem saber o que fazer. Se deixarmos as coisas nas mãos dele vai todo mundo ficar surdo pra sempre. Não, nós mesmos vamos resolver isso. Afinal, esse é o meu dever como... como...”. Ele parou de falar do nada.
“Como? Eric, o que foi”? Ele estava estranho parece que tinha paralisado do nada. Não entendi na hora o que tinha acontecido apesar de já ter visto aquela expressão antes. Achei que tivesse sido afetado pela magia doida que chegou na cidade e estivesse ficando surdo mudo também. Mas daí olhei para a direção onde ele olhava fixamente e vi, uma bela jovem de cabelos castanhos e olhos puxados montada num cavalo branco.
“Ah qual é Eric. Não é hora para isso.”. Gritei para ele.
“Não faço ideia do que você esta falando”. Ele disse pouco antes de sair andando em direção a jovem.
“E quanto aquela história toda de sair em busca do cara mal e salvar nossa terra”?
“Depois eu bato nele, depois, tenho que fazer uma coisa primeiro, não vai demorar nada, ou talvez demore, volto logo”. E saiu correndo. Sério? Da pra acreditar nesse cara. Fica bobo com qualquer garota bonita que aparece.
Desisti de tentar falar com ele. Voltei a entrar na pousada / taverna e procurei por Meredith, que estava sinalizando com um jovem de cabelos loiros e roupas azuis que carregava uma espada muito legal nas costas.
Depois de falar com ela me hospedei no mesmo quarto em que ficamos da última vez e fiquei ali ensaiando com meu violino até anoitecer. Sei lá, acho que até estava gostando desse silêncio todo.

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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Adaptando-se


Palavras no Silêncio capitulo 4

"Página retirada do diário de Samuel o artesão"

21 de outubro de 251 Era dos Reis

Querido diário (acho que é assim que se começa)

Comecei a escrever isto por que o que está acontecendo por aqui é algo que vai ficar marcado na história do nosso povo e pretendo deixar a minha versão dos acontecimentos para as futuras gerações.
Muitos acontecimentos estranhos começaram a ocorrer nas florestas ocultas desde a manhã de ontem. Como ninguém mais consegue falar ou ouvir, fomos obrigados a começar a nos adaptar.
Eu, juntamente com meu amigo Cristian e a encantadora Sorius, começamos a ensinar a língua de sinais para os habitantes da floresta. Língua essa que nos foi ensinada por nossa amiga Sorius a alguns anos atrás. Começamos com o básico do básico para que ao menos consigam se comunicar no dia a dia. Foi até divertido ver nossos alunos criando sinais uns para os outros para ajudar a identifica-los. Usamos o mesmo sinal usado para “Castor” para me identificar e o de “Coruja” para identificar Cristian. Sinais que nos foram dados para nós quando éramos crianças.
Além disso, foi distribuído várias folhas de papel em branco para todos para que possam se comunicar caso não saibam como se diz determinada frase na linguagem de sinais. O único problema disso, é que o Grande Mago, apesar de ser “O Grande Mago”, tem dificuldades de entender o que seus alunos escrevem nas folhas, então sempre precisamos de alguém para fazer a tradução para ele.
Os demais alquimistas voltaram a trabalhar nos seus projetos. Addah está criando vários objetos e jogos para ajudar a memorizar os sinais na linguagem de sinais. Ela está criando um jogo da memória, um jogo de forca para ensinar o alfabeto manual, criou um mapa da floresta usando sinais para representar cada parte dela e está falando de criar um calendário também que utilize os sinais dos meses e dos dias da semana. Mas está sendo meio complicado para ela, considerando que começou a aprender a linguagem de sinais ontem. Mas assim como qualquer coisa nova que ela aprende ou ensine, sempre vai achar melhor fazer isso através de jogos e brincadeiras.
O curandeiro Tarom voltou a mexer com as suas poções. Misturando vários frascos coloridos num só e causando uma explosão ou outra de vez enquanto já que tem um pouco de dificuldade de diferenciar as cores e acaba trocando os frascos as vezes.
Sandry e seus alunos estão na biblioteca desde ontem, lendo livros um atrás do outro, alguns dizem que ela nem mesmo dormiu ou tirou uma pausa para comer e que não responde quando falam com ela.
O Grande Mago mandou outros de nossos companheiros para buscar informações em outras partes de Aurix. Mandou Gino e Helena para a cidade Lux ver se encontram algo nos livros de lá. Hélio foi ajudar os magos de Atrox em suas pesquisas. E Lia partiu hoje cedo antes do sol nascer para Linoá. Sorius até tinha perguntado se podia acompanha-la na viagem, mas a nossa amiga recusou dizendo que isso só iria atrapalhar e que precisaríamos dela por aqui. Confesso que preferi assim.
Dessa forma, muito em breve esperamos ter informações sobre o que ocorreu. Mas enquanto isso não acontece, vamos pouco a pouco aprendendo como viver nossas vidas sem o uso das palavras e aproveitar um pouco essa calma que está a floresta ultimamente.

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terça-feira, 1 de maio de 2018

O silêncio em Atrox

Palavras no Silêncio capitulo 3

Livro das crônicas de Atrox
“Escrito pelo escriba real Omir”
Data: 21 de outubro de 251 Era dos Reis


As coisas estão indo de mal a pior na grande cidade de Atrox. As pessoas estão desesperadas sem saber mais o que fazer, pois desde ontem nenhuma palavra ou som foi ouvido dentro dos nossos portões, e hoje de manhã chegaram pombos correios que vieram desde a pequena cidade de Linoá até todo o caminho até Atrox. Praticamente todo o território de nosso pequeno reino. Mas segundo mensageiros, os lugares mais distantes ainda estão normais.
O rei Garon estava quase perdendo a cabeça com tantos problemas e a rainha é a única por aqui que parece saber o que está fazendo, sempre com seu semblante calmo e gentil.
Assim que descobrimos que tínhamos sido atingidos por um feitiço, o rei logo ordenou que todos os portões fossem trancados e outras possíveis saídas bloqueadas. Pois até então, achávamos que o feiticeiro estaria pela cidade ou próximo a ela.
O rei orgulhoso do jeito que é tentou resolver tudo sozinho, passou o dia rodeando a cidade com os guardas e ordenando aos magos que descobrissem a cura para o silêncio, mas tudo em vão.
Porém hoje de manhã a rainha secretamente enviou Sparks seu falcão mensageiro entregar uma mensagem para o rei da cidade Lux, Astorn, que é o nosso aliado mais próximo. E outros dois falcões, um para Zorah a leste e outro para Godres a cidade ao sul onde sua filha a princesa Elyx estava com seu novo marido Horacio.
Depois de ter certeza que não havia ninguém estranho dentro da cidade, o rei Garon mandou reabrir os portões, frustrado por toda aquela busca cansativa e sem resultados.
Partimos então para o plano B. O rei então mandou boa parte do nosso exército pessoal para os locais afetados próximos afim de procurar informar caso encontrassem qualquer coisa estranha. Além do que, talvez o alvo não seja a cidade. Tem muita coisa de valor nos arredores, como as minas de diamante próximo as montanhas, os livros raros da escola na colina próxima a Atrox, ou até mesmo o conhecimento sobre magia dos alquimistas da floresta oculta (Embora aqueles estudiosos engomadinhos não se considerem parte do reino).
Foram enviados ao todo 12 soldados para cada região, todos bem equipados com as melhores armas e armaduras (algumas inclusive produzidas pela própria família real). Foram escolhidos preferencialmente aqueles soldados que tinham algum conhecimento sobre a linguagem de sinais para ajudar na busca por informações. Se o inimigo, quem quer que seja, tentar nos atacar de qualquer direção nós vamos saber.
O próprio rei, impaciente e impulsivo do jeito que é, estava querendo sair por ai com os soldados em busca de respostas, mas foi impedido pela rainha que dizia que o melhor lugar para ele agora era dentro dos portões de Atrox junto com o seu povo, e não andando sem rumo sem saber contra quem está lutando. Ele simplesmente deu de ombros e sinalizou “Se meu filho pode sair por ai andando sem rumo por que eu não posso fazer o mesmo? ” Ou pelo menos foi isso que eu consegui entender. Mas no fundo de seu coração ele sabia que sua esposa estava certa (Como sempre), então ficou por aqui mesmo emburrado.
A noite não tinha mais o que se fazer, todos estavam cansados do dia cheio que tiveram, menos o rei, que ficou andando de um lado para o outro no castelo gritando coisas sem emitir som e vez ou outra quebrando alguma coisa por perto. A rainha só dava risada. Dizia que ele ficava lindo quando estava com raiva. Ninguém no reino conseguia entender como ela conseguia manter a calma no meio de uma situação dessas.
Depois de ter se cansado de andar pelo palácio o rei encostou em seu trono ao lado de sua rainha que o provocava constantemente. Foi nessa hora que um falcão entrou voando por uma das janelas e posou no colo da rainha.
A ave ficou olhando fixamente para a rainha que acariciou levemente sua cabeça e pegou a mensagem que ele trazia amarrado. Mensagem que não serviu para melhorar o humor de Garon nem um pouco, muito pelo contrário.

“Estou ciente do seu problema e já mandei meu melhor homem para resolve-lo
Ass: Seu velho amigo rei Astorn”

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A reunião na Floresta Oculta


Palavras no Silêncio capitulo 2

"Relatório de Hugo o escriba sobre a Reunião urgente na floresta"

Data: Segunda-feira, 20 de outubro de 251, Era dos Reis
Motivo da reunião: A floresta oculta amanheceu em desespero, ninguém conseguia falar ou ouvir qualquer palavra ou som. Isso começou aproximadamente as 11hrs da manhã e uma confusão geral se iniciou a partir daí. As pessoas ao perceberem que não podiam mais ouvir umas às outras começaram a correr desesperadamente de um lado para o outro, quebrando coisas ao longo do caminho e assustando os animais que aparentemente também ficaram surdos. Depois de algum tempo de desespero os mais espertos foram buscar ajuda na cabana do grande mago que estava em sua casa lendo sem nem ter percebido o que aconteceu. E por sua vez, assim que se deu conta do que estava ocorrendo chamou a atenção de todos para a cabana e iniciou a reunião.
Descrição detalhada: Depois de ter reunido aparentemente todos os alunos e alquimistas formados, o Mago subiu no topo da colina mais próxima ali e fez um sinal com a mão para que todos olhassem para ele, em seguida apontou para Sandry que estava próxima com uma lousa improvisada onde tinha escrito “Atenção”.  Então começou a se comunicar com eles usando a linguagem de sinais enquanto suas palavras eram traduzidas rapidamente na lousa.
-“Alunos e Alquimistas aqui presentes, prestem atenção. A poucos minutos recebi mensagens vindo da cidade de Atrox e Linoá. Não é nenhuma espécie de sonho como a maioria deve estar pensando. Eu já me belisquei para confirmar. E também não foi só a gente que esta passando por isso. O que aconteceu hoje é com certeza obra de magia real. Fomos atacados e pegos de surpresa por um feitiço até então desconhecido que está nos privando de nossos sentidos de audição.
Ele fez uma pausa, olhou rapidamente para a lousa de Sandry para se certificar que suas palavras tinham sido traduzidas de forma clara e então dirigiu o olhar atentamente aos rostos de seus alunos para ver se alguém tinha algo a acrescentar, mas todos estavam imóveis observando atentamente, então continuou:
-Devemos tomar cuidado, reforçar nossas defesas e nos preparar para um possível ataque. Quem lançou esse feitiço provavelmente não vai parar por aí. Mas, ao mesmo tempo em que nos preparamos precisamos saber como essa magia estranha foi criada e como vamos desfaze-la.
Krun o chefe da guarda pegou uma folha de papel e escreveu “Quais as ordens? ” E levantou bem alto para que todos pudessem ver.
O mago apontou para ele e em seguida para outros 10 guerreiros ali perto.
“Coloque vigias atentos em cada uma das duas entradas da floresta, tanto na saída norte que leva para a montanha quanto a sul que vai para a pequena cidade de Linoá. E qualquer coisa estranha me avise imediatamente.
Krum assentiu com uma continência e chamou alguns soldados para perto de si.
O mago continuou:
-“E a professora Sandry junto com outros estudantes dos últimos anos vão para a nossa biblioteca revirar cada livro em busca de alguma informação sobre essa magia que possa nos ajudar. Eu vou dar mais informações depois sobre por onde começar”.
Nessa hora vários estudantes levantaram as mãos e se prontificaram para ajudar.
Sandry olhou para eles e escreveu na louca “Quem quiser vir, venha. Precisaremos de ajuda”.
O mago assentiu e de repente outra coisa lhe passou pela cabeça e começou a sinalizar de novo:
-“Mas... Também vamos precisar buscar informações em outros lugares além daqui. Preciso que alguém vá para Linoá chegar os registros na biblioteca de lá”.
Nesse momento Lia a curandeira deu um passo a frente e começou a sinalizar também.
-“EU IR. EU RAPIDA. CONHECER CAMINHO. SABER ONDE PROCURAR”.
Não foi necessário a tradução de Sandry dessa vez, todos entenderam bem suas palavras simplesmente pelo seu olhar.
O mago relutou um pouco. Poucos perceberam o leve sorriso em seu rosto quando a jovem se prontificou a ajudar. Lia era uma das alunas mais antigas da floresta e a melhor curandeira que tinham. Por essas e outras razões o mago queria mante-la por perto. Mas ainda assim no atual estado em que se encontravam, ela com certeza seria de grande ajuda na busca por informações fora da floresta também. Então o mago acabou concordando.
O povo começou uma série de movimentos frenéticos de sinais e palavras escritas em folhas perguntando se tinham tarefas para eles também. O mago depois de fazer o sinal pedindo para se acalmarem e esperou até que fosse possível continuar.
-“O resto de vocês, se acalmem, não tem muito mais que possamos fazer agora. Então continuem cada um com o que estavam trabalhando antes, mantenho a calma sempre. Vai ser uma experiência diferente para cada um e muito educativa”. – Ele apontou para o jovem Samuel que estava próximo a uma árvore. – “Samuel estará aqui para ensinar a linguagem de sinais para aqueles que ainda não aprenderam.
O jovem de cabelos negros assentiu feliz.
Dito isso quase todos se dispersaram e começaram suas tarefas. Apenas alguns ficaram para tirar dúvidas com o Mago.
Conclusão: Nosso objetivo é descobrir quem lançou esse feitiço sobre nosso povo, como o feitiço foi feito e como reverter isso. Estamos nos preparando para um futuro ataque desse inimigo desconhecido e ao mesmo tempo precisaremos aprender a viver sem usar palavras para se comunicar.

Fim da reunião

Parte 1 - Parte 3

Último lançamento

A melodia de Zorah

– MAJESTADE! MAJESTADE! – Gritava o guarda enquanto corria pela estrada de pedra em direção à sala do trono. Esbaforido, o guarda parecia e...