quarta-feira, 16 de maio de 2018

O comerciante

Palavras no Silêncio capitulo 6

"Carta escrita por Bill o comerciante de Linoá para Dill seu irmão nas florestas ocultas"
Data: Segunda-feira, 27 de outubro de 251, Era dos Reis



Olá querido irmão, como estão indo as coisas por ai?

Aqui em Linoá a situação começou a melhorar um pouco desde a minha última carta. No começo, passar o dia inteiro sem conseguir falar ou ouvir foi terrivelmente assustador. mas depois de uma semana vivendo assim as coisas não pareceram mais tão ruins. Esta pequena cidade nunca esteve tão calma.
Tive uma ideia genial aqui para minha loja que acho que você vai gostar. Na frente de cada produto aqui nas prateleiras coloquei um pequeno papelzinho com o nome do produto, o preço e o desenho do sinal utilizado para representar o mesmo.
Larissa, a nossa amiga que é veterinária e dona da loja de animais e aquele cara misterioso da loja de penhores que eu não sei o nome parecem ter gostado da minha ideia e fizeram o mesmo com o comercio deles.
Isso parece ter ajudado muito na hora de vender a mercadoria para aqueles que já moravam aqui e ficaram surdos com esse feitiço doido e para os viajantes de fora que não foram afetados pela magia.
E falando em viajantes de fora vamos as novidades
Ontem coincidentemente quatro viajantes diferentes chegaram aqui praticamente ao mesmo tempo. Um deles era uma amiga sua das florestas ocultas, uma jovem adorável de cabelos castanhos chamada Lia. Ela passa o dia todo trabalhando duro buscando informações sobre feitiços que deixam pessoas surdas na biblioteca local e de vez em quando passa aqui para comprar alguma coisa para comer e jogar conversa fora.
Recebemos também a visita daqueles dois músicos que cantavam aquelas músicas diferentes da cidade grande que faz as pessoas daqui virarem a noite dançando, acho que os nomes deles era Jefenir e Eric. Admito, sinto falta até mesmo daquele barulho que eles faziam que não me deixava dormir. Se hospedaram na pousada da velha Meredith e parece que vão ficar por aqui por mais alguns dias, eu só não entendi realmente o motivo disso. No lugar deles eu já teria pegado minhas coisas e ir tentar ganhar dinheiro em uma dessas cidades grandes que ainda podem ouvir.
E o quarto viajante, é talvez o mais misterioso de todos eles. Nunca o vi por essa cidade antes e por nenhuma outra que já tenha visitado. Mas é um jovem, acho que quase da idade dos outros, de cabelos loiros até a altura dos ombros, roupas azuis, uma meia armadura e uma espada longa que ele carrega pra cima e pra baixo presa em suas costas. Esta hospedado na pousada da Meredith também e assim como a jovem Lia passa o dia focado nos livros. Passou aqui hoje de manhã para comprar água, comida e algumas roupas, seja o que for que ele esta fazendo aqui parece que está planejando uma longa viagem pela frente. Perguntou também pra mim e pra cidade toda se eu sabia algo sobre esse feitiço, o que é claro que não sei.
Além desses quatro, a uns três dias atras chegou uma tropa de soldados que o rei mandou para cá. Eles passam o dia vigiando as entradas e saídas da cidade e acabando com a comida do restaurante local.
Muitas coisas estranhas estão acontecendo por aqui e estou com uma sensação estranha de que tem algo mais pra acontecer, talvez seja só um pressentimento ruim ou talvez seja algo sério de verdade, mas quando eu tiver novidades enviarei outra carta para você. Até lá, espero também receber uma carta sua.

Um abraço de seu querido irmão Bill.

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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Trovadores

Palavras no Silêncio capitulo 5

“Página retirada do diário de Jefenir o violinista”


Querido diário,

Hoje foi com toda a certeza o pior dia de nossas vidas nesses longos anos desde que decidimos deixar nossa casa e sair pelo mundo mostrando nossa música para as pessoas.
Eu e meu companheiro de viagens Eric tínhamos passado os últimos 17 dias em turnê pelo reino de Anoth. Tocando em um palco diferente toda a noite, e já estávamos cansados do calor insuportável e areia sem fim dos desertos daquela terra. Então resolvemos voltar a nossa terra natal no reino de Atrox para podermos descansar e tocar mais um pouco para os antigos amigos que deixamos para trás em troca de algumas moedas.
E assim fomos. Foi uma alegria muito grande quando logo pela manhã avistamos no horizonte uma grande torre de vigia e vários telhados de casas de madeira rustica que fazem parte da cidade de Linoá.
Eric, impulsivo como sempre não se conteve, fez seu cavalo galopar a todo vapor em direção a praça da cidade, e claro eu tive que sair correndo atrás para não perder ele de vista.
Linoá era uma cidade pequena e não tinha um teatro ou lugar próprio para apresentações artísticas como as grandes cidades de Atrox, Anoth ou Lux. Então sempre quando passávamos por lá nos apresentávamos na taverna / pousada de nossa amiga Meredith. Mas, como era de costume, antes de qualquer tarde de apresentações, tínhamos que avistar ao povo da cidade que havia trovadores por aqui. Então, sempre quando chegávamos em uma cidade, fazíamos uma pequena palinha na praça central ou em um lugar onde tenha grande quantidade de pessoas.
E assim fomos. Paramos na pequena praça da cidade em frente a torre de vigilância e desmontamos as nossas coisas, amarramos os cavalos ali perto, tomamos um gole de água, e pegamos os nossos instrumentos que por sinal já estavam um pouco desafinados devido a mudança de temperatura durante a viagem.
“Vamos lembrar a essa gente do interior o que é música de verdade”. Disse Eric convencido enquanto pegando seu Alaúde e se dirigindo em direção ao centro da praça.
Ele começou a dedilhar a introdução da música “A cidade que tudo vê” de nossa autoria e eu entrei logo em seguida fazendo a melodia no violino. Não era uma de nossas músicas mais animadas, mas era a favorita daquele povo pois escrevemos ela justamente em homenagem a cidade de Linoá e sua torre de vigilância que tinha a melhor vista de todo aquele reino.
A música estava seguindo normalmente, e estávamos tocando até melhor do que nas últimas vezes em que passamos ali. Mas, de repente no meio dela acabei percebendo que estava tocando sozinho. Olhei para o lado sem parar de tocar e percebi que meu parceiro estava imóvel. Pensei logo “Po Eric, agora não é hora de ter medo do palco e ficar nervoso”, mas sabia que não era isso que estava acontecendo. Parei de tocar também e olhei ao redor, e para minha surpresa percebi que não havia ninguém prestando atenção na gente. Havia muitos rostos familiares ali, o vendedor Bill, as crianças o cara da loja de penhores que eu nunca lembrava o nome, todos os rostos que outrora ficavam encantados quando tocávamos nossa música agora pareciam que nem tinham notado que estávamos aqui. Ou se notaram estavam fingindo que não existiamos. O que seria impossível já que estávamos tocando absurdamente alto.
Bom, para não dizer que não tinha ninguém dando bola pra gente, passou uma menininha com tranças que passou pela gente com uma cara de tristeza e saiu correndo.
“Que pesadelo é esse? O que está contendo aqui?” Eu perguntei assustado.
Então Eric me respondeu: “Não é óbvio bro. Eles enjoaram da gente. Nossos 15 minutos de fama acabaram e nossa carreira também”.  Sempre gostei do jeito otimista de Eric ver as coisas, mas tinha certeza que não era isso. Não fazia sentido ser isso, ninguém em sã consciência enjoaria de ouvir a gente. Algo tinha acontecido em Linoá enquanto estávamos fora.
Nesse momento, uma mão gelada pousou em nossos ombros. Olhei para trás assustado e me deparei com o rosto da velha Meredith. Que tinha agora uma expressão de tristeza e pena. Diferente da doce e alegre senhora que me lembrava da última vez.
Ela começou a andar em direção a pousada e fez um sinal com as mãos para que a seguíssemos, tudo isso sem dizer uma única palavra. Eu e meu companheiro trocamos olhares, isso estava estranho demais, Meredith geralmente não parava de falar. Mas a seguimos mesmo assim e entramos na pousada.
Ao chegarmos lá ela fez alguns sinais estranhos com a mão com expressão de interrogação.
“Desculpe amiga, não estendemos de língua de sinais, não dá pra falar com a gente normalmente é isso”? Perguntei, mas ela parece não ter entendido o que eu disse. Ela foi para a mesa de recepção, pegou um caderno e uma pena e escreveu um resumo do que estava acontecendo e deu pra gente ler.
“Seguinte, não é uma boa hora pra vocês aparecerem aqui. Tá todo mundo surdo e mudo por essas bandas. Ninguém sabe o porquê”.
“Como assim ta todo mundo surdo”? Perguntou Eric assustado.
“Acho que quer dizer que ninguém pode falar ou ouvir a gente”. Eu respondi tentando manter a calma. “Como isso pode ser possível”?
Meredith deu de ombros provavelmente não entendeu uma única palavra do que a gente disse, e então voltou a fazer os seus afazeres na pousada / taverna.
Eu e Eric saímos dali assustados conversando sobre o ocorrido e olhando para os cidadãos perto pra ver se era verdade, e aparentemente era mesmo.
“O que fazemos agora”? Perguntei.
“Não é óbvio? Temos que encontrar quem fez isso com nossa terra e bater nele até que ele desista e faça todo mundo ouvir de novo. Depois voltamos aqui e fazemos um show de comemoração.
“Acho que o rei já deve estar trabalhando para resolver isso” Meu amigo só deu risada quando eu disse isso.
“Ele é um idiota. Deve estar dando muros na parede e destruindo tudo sem saber o que fazer. Se deixarmos as coisas nas mãos dele vai todo mundo ficar surdo pra sempre. Não, nós mesmos vamos resolver isso. Afinal, esse é o meu dever como... como...”. Ele parou de falar do nada.
“Como? Eric, o que foi”? Ele estava estranho parece que tinha paralisado do nada. Não entendi na hora o que tinha acontecido apesar de já ter visto aquela expressão antes. Achei que tivesse sido afetado pela magia doida que chegou na cidade e estivesse ficando surdo mudo também. Mas daí olhei para a direção onde ele olhava fixamente e vi, uma bela jovem de cabelos castanhos e olhos puxados montada num cavalo branco.
“Ah qual é Eric. Não é hora para isso.”. Gritei para ele.
“Não faço ideia do que você esta falando”. Ele disse pouco antes de sair andando em direção a jovem.
“E quanto aquela história toda de sair em busca do cara mal e salvar nossa terra”?
“Depois eu bato nele, depois, tenho que fazer uma coisa primeiro, não vai demorar nada, ou talvez demore, volto logo”. E saiu correndo. Sério? Da pra acreditar nesse cara. Fica bobo com qualquer garota bonita que aparece.
Desisti de tentar falar com ele. Voltei a entrar na pousada / taverna e procurei por Meredith, que estava sinalizando com um jovem de cabelos loiros e roupas azuis que carregava uma espada muito legal nas costas.
Depois de falar com ela me hospedei no mesmo quarto em que ficamos da última vez e fiquei ali ensaiando com meu violino até anoitecer. Sei lá, acho que até estava gostando desse silêncio todo.

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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Adaptando-se


Palavras no Silêncio capitulo 4

"Página retirada do diário de Samuel o artesão"

21 de outubro de 251 Era dos Reis

Querido diário (acho que é assim que se começa)

Comecei a escrever isto por que o que está acontecendo por aqui é algo que vai ficar marcado na história do nosso povo e pretendo deixar a minha versão dos acontecimentos para as futuras gerações.
Muitos acontecimentos estranhos começaram a ocorrer nas florestas ocultas desde a manhã de ontem. Como ninguém mais consegue falar ou ouvir, fomos obrigados a começar a nos adaptar.
Eu, juntamente com meu amigo Cristian e a encantadora Sorius, começamos a ensinar a língua de sinais para os habitantes da floresta. Língua essa que nos foi ensinada por nossa amiga Sorius a alguns anos atrás. Começamos com o básico do básico para que ao menos consigam se comunicar no dia a dia. Foi até divertido ver nossos alunos criando sinais uns para os outros para ajudar a identifica-los. Usamos o mesmo sinal usado para “Castor” para me identificar e o de “Coruja” para identificar Cristian. Sinais que nos foram dados para nós quando éramos crianças.
Além disso, foi distribuído várias folhas de papel em branco para todos para que possam se comunicar caso não saibam como se diz determinada frase na linguagem de sinais. O único problema disso, é que o Grande Mago, apesar de ser “O Grande Mago”, tem dificuldades de entender o que seus alunos escrevem nas folhas, então sempre precisamos de alguém para fazer a tradução para ele.
Os demais alquimistas voltaram a trabalhar nos seus projetos. Addah está criando vários objetos e jogos para ajudar a memorizar os sinais na linguagem de sinais. Ela está criando um jogo da memória, um jogo de forca para ensinar o alfabeto manual, criou um mapa da floresta usando sinais para representar cada parte dela e está falando de criar um calendário também que utilize os sinais dos meses e dos dias da semana. Mas está sendo meio complicado para ela, considerando que começou a aprender a linguagem de sinais ontem. Mas assim como qualquer coisa nova que ela aprende ou ensine, sempre vai achar melhor fazer isso através de jogos e brincadeiras.
O curandeiro Tarom voltou a mexer com as suas poções. Misturando vários frascos coloridos num só e causando uma explosão ou outra de vez enquanto já que tem um pouco de dificuldade de diferenciar as cores e acaba trocando os frascos as vezes.
Sandry e seus alunos estão na biblioteca desde ontem, lendo livros um atrás do outro, alguns dizem que ela nem mesmo dormiu ou tirou uma pausa para comer e que não responde quando falam com ela.
O Grande Mago mandou outros de nossos companheiros para buscar informações em outras partes de Aurix. Mandou Gino e Helena para a cidade Lux ver se encontram algo nos livros de lá. Hélio foi ajudar os magos de Atrox em suas pesquisas. E Lia partiu hoje cedo antes do sol nascer para Linoá. Sorius até tinha perguntado se podia acompanha-la na viagem, mas a nossa amiga recusou dizendo que isso só iria atrapalhar e que precisaríamos dela por aqui. Confesso que preferi assim.
Dessa forma, muito em breve esperamos ter informações sobre o que ocorreu. Mas enquanto isso não acontece, vamos pouco a pouco aprendendo como viver nossas vidas sem o uso das palavras e aproveitar um pouco essa calma que está a floresta ultimamente.

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terça-feira, 1 de maio de 2018

O silêncio em Atrox

Palavras no Silêncio capitulo 3

Livro das crônicas de Atrox
“Escrito pelo escriba real Omir”
Data: 21 de outubro de 251 Era dos Reis


As coisas estão indo de mal a pior na grande cidade de Atrox. As pessoas estão desesperadas sem saber mais o que fazer, pois desde ontem nenhuma palavra ou som foi ouvido dentro dos nossos portões, e hoje de manhã chegaram pombos correios que vieram desde a pequena cidade de Linoá até todo o caminho até Atrox. Praticamente todo o território de nosso pequeno reino. Mas segundo mensageiros, os lugares mais distantes ainda estão normais.
O rei Garon estava quase perdendo a cabeça com tantos problemas e a rainha é a única por aqui que parece saber o que está fazendo, sempre com seu semblante calmo e gentil.
Assim que descobrimos que tínhamos sido atingidos por um feitiço, o rei logo ordenou que todos os portões fossem trancados e outras possíveis saídas bloqueadas. Pois até então, achávamos que o feiticeiro estaria pela cidade ou próximo a ela.
O rei orgulhoso do jeito que é tentou resolver tudo sozinho, passou o dia rodeando a cidade com os guardas e ordenando aos magos que descobrissem a cura para o silêncio, mas tudo em vão.
Porém hoje de manhã a rainha secretamente enviou Sparks seu falcão mensageiro entregar uma mensagem para o rei da cidade Lux, Astorn, que é o nosso aliado mais próximo. E outros dois falcões, um para Zorah a leste e outro para Godres a cidade ao sul onde sua filha a princesa Elyx estava com seu novo marido Horacio.
Depois de ter certeza que não havia ninguém estranho dentro da cidade, o rei Garon mandou reabrir os portões, frustrado por toda aquela busca cansativa e sem resultados.
Partimos então para o plano B. O rei então mandou boa parte do nosso exército pessoal para os locais afetados próximos afim de procurar informar caso encontrassem qualquer coisa estranha. Além do que, talvez o alvo não seja a cidade. Tem muita coisa de valor nos arredores, como as minas de diamante próximo as montanhas, os livros raros da escola na colina próxima a Atrox, ou até mesmo o conhecimento sobre magia dos alquimistas da floresta oculta (Embora aqueles estudiosos engomadinhos não se considerem parte do reino).
Foram enviados ao todo 12 soldados para cada região, todos bem equipados com as melhores armas e armaduras (algumas inclusive produzidas pela própria família real). Foram escolhidos preferencialmente aqueles soldados que tinham algum conhecimento sobre a linguagem de sinais para ajudar na busca por informações. Se o inimigo, quem quer que seja, tentar nos atacar de qualquer direção nós vamos saber.
O próprio rei, impaciente e impulsivo do jeito que é, estava querendo sair por ai com os soldados em busca de respostas, mas foi impedido pela rainha que dizia que o melhor lugar para ele agora era dentro dos portões de Atrox junto com o seu povo, e não andando sem rumo sem saber contra quem está lutando. Ele simplesmente deu de ombros e sinalizou “Se meu filho pode sair por ai andando sem rumo por que eu não posso fazer o mesmo? ” Ou pelo menos foi isso que eu consegui entender. Mas no fundo de seu coração ele sabia que sua esposa estava certa (Como sempre), então ficou por aqui mesmo emburrado.
A noite não tinha mais o que se fazer, todos estavam cansados do dia cheio que tiveram, menos o rei, que ficou andando de um lado para o outro no castelo gritando coisas sem emitir som e vez ou outra quebrando alguma coisa por perto. A rainha só dava risada. Dizia que ele ficava lindo quando estava com raiva. Ninguém no reino conseguia entender como ela conseguia manter a calma no meio de uma situação dessas.
Depois de ter se cansado de andar pelo palácio o rei encostou em seu trono ao lado de sua rainha que o provocava constantemente. Foi nessa hora que um falcão entrou voando por uma das janelas e posou no colo da rainha.
A ave ficou olhando fixamente para a rainha que acariciou levemente sua cabeça e pegou a mensagem que ele trazia amarrado. Mensagem que não serviu para melhorar o humor de Garon nem um pouco, muito pelo contrário.

“Estou ciente do seu problema e já mandei meu melhor homem para resolve-lo
Ass: Seu velho amigo rei Astorn”

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A reunião na Floresta Oculta


Palavras no Silêncio capitulo 2

"Relatório de Hugo o escriba sobre a Reunião urgente na floresta"

Data: Segunda-feira, 20 de outubro de 251, Era dos Reis
Motivo da reunião: A floresta oculta amanheceu em desespero, ninguém conseguia falar ou ouvir qualquer palavra ou som. Isso começou aproximadamente as 11hrs da manhã e uma confusão geral se iniciou a partir daí. As pessoas ao perceberem que não podiam mais ouvir umas às outras começaram a correr desesperadamente de um lado para o outro, quebrando coisas ao longo do caminho e assustando os animais que aparentemente também ficaram surdos. Depois de algum tempo de desespero os mais espertos foram buscar ajuda na cabana do grande mago que estava em sua casa lendo sem nem ter percebido o que aconteceu. E por sua vez, assim que se deu conta do que estava ocorrendo chamou a atenção de todos para a cabana e iniciou a reunião.
Descrição detalhada: Depois de ter reunido aparentemente todos os alunos e alquimistas formados, o Mago subiu no topo da colina mais próxima ali e fez um sinal com a mão para que todos olhassem para ele, em seguida apontou para Sandry que estava próxima com uma lousa improvisada onde tinha escrito “Atenção”.  Então começou a se comunicar com eles usando a linguagem de sinais enquanto suas palavras eram traduzidas rapidamente na lousa.
-“Alunos e Alquimistas aqui presentes, prestem atenção. A poucos minutos recebi mensagens vindo da cidade de Atrox e Linoá. Não é nenhuma espécie de sonho como a maioria deve estar pensando. Eu já me belisquei para confirmar. E também não foi só a gente que esta passando por isso. O que aconteceu hoje é com certeza obra de magia real. Fomos atacados e pegos de surpresa por um feitiço até então desconhecido que está nos privando de nossos sentidos de audição.
Ele fez uma pausa, olhou rapidamente para a lousa de Sandry para se certificar que suas palavras tinham sido traduzidas de forma clara e então dirigiu o olhar atentamente aos rostos de seus alunos para ver se alguém tinha algo a acrescentar, mas todos estavam imóveis observando atentamente, então continuou:
-Devemos tomar cuidado, reforçar nossas defesas e nos preparar para um possível ataque. Quem lançou esse feitiço provavelmente não vai parar por aí. Mas, ao mesmo tempo em que nos preparamos precisamos saber como essa magia estranha foi criada e como vamos desfaze-la.
Krun o chefe da guarda pegou uma folha de papel e escreveu “Quais as ordens? ” E levantou bem alto para que todos pudessem ver.
O mago apontou para ele e em seguida para outros 10 guerreiros ali perto.
“Coloque vigias atentos em cada uma das duas entradas da floresta, tanto na saída norte que leva para a montanha quanto a sul que vai para a pequena cidade de Linoá. E qualquer coisa estranha me avise imediatamente.
Krum assentiu com uma continência e chamou alguns soldados para perto de si.
O mago continuou:
-“E a professora Sandry junto com outros estudantes dos últimos anos vão para a nossa biblioteca revirar cada livro em busca de alguma informação sobre essa magia que possa nos ajudar. Eu vou dar mais informações depois sobre por onde começar”.
Nessa hora vários estudantes levantaram as mãos e se prontificaram para ajudar.
Sandry olhou para eles e escreveu na louca “Quem quiser vir, venha. Precisaremos de ajuda”.
O mago assentiu e de repente outra coisa lhe passou pela cabeça e começou a sinalizar de novo:
-“Mas... Também vamos precisar buscar informações em outros lugares além daqui. Preciso que alguém vá para Linoá chegar os registros na biblioteca de lá”.
Nesse momento Lia a curandeira deu um passo a frente e começou a sinalizar também.
-“EU IR. EU RAPIDA. CONHECER CAMINHO. SABER ONDE PROCURAR”.
Não foi necessário a tradução de Sandry dessa vez, todos entenderam bem suas palavras simplesmente pelo seu olhar.
O mago relutou um pouco. Poucos perceberam o leve sorriso em seu rosto quando a jovem se prontificou a ajudar. Lia era uma das alunas mais antigas da floresta e a melhor curandeira que tinham. Por essas e outras razões o mago queria mante-la por perto. Mas ainda assim no atual estado em que se encontravam, ela com certeza seria de grande ajuda na busca por informações fora da floresta também. Então o mago acabou concordando.
O povo começou uma série de movimentos frenéticos de sinais e palavras escritas em folhas perguntando se tinham tarefas para eles também. O mago depois de fazer o sinal pedindo para se acalmarem e esperou até que fosse possível continuar.
-“O resto de vocês, se acalmem, não tem muito mais que possamos fazer agora. Então continuem cada um com o que estavam trabalhando antes, mantenho a calma sempre. Vai ser uma experiência diferente para cada um e muito educativa”. – Ele apontou para o jovem Samuel que estava próximo a uma árvore. – “Samuel estará aqui para ensinar a linguagem de sinais para aqueles que ainda não aprenderam.
O jovem de cabelos negros assentiu feliz.
Dito isso quase todos se dispersaram e começaram suas tarefas. Apenas alguns ficaram para tirar dúvidas com o Mago.
Conclusão: Nosso objetivo é descobrir quem lançou esse feitiço sobre nosso povo, como o feitiço foi feito e como reverter isso. Estamos nos preparando para um futuro ataque desse inimigo desconhecido e ao mesmo tempo precisaremos aprender a viver sem usar palavras para se comunicar.

Fim da reunião

Parte 1 - Parte 3

O inicio do silêncio - Sorius


Palavras no Silêncio capitulo 1

"Pequeno trecho retirado do diário de Sorius, aluna de alquimia do terceiro ano nas Florestas Ocultas"

Querido diário

O dia de hoje foi com toda a certeza o dia mais estranho, bizarro e totalmente maluco que já aconteceu por aqui. Na verdade, agora mesmo enquanto escrevo essas palavras ainda não estou acreditando que estamos passando por isso ou se é tudo um sonho muito doido da minha cabeça.
Começou assim, era um dia normal como qualquer outro. Acordei cansadona da noite passada em que tinha levado horas reescrevendo os textos antigos sobre fungo mágico até desmaiar. Até aí tudo bem. Joguei uma água no rosto comi o que eu achei aqui na cabana e sai.
Daí que começou a ficar estranho, olhei para o céu e percebi que devia ser mais ou menos meio dia. Meio dia acredita. Está certo que gosto de dormir, gosto muito de dormir, mas nunca até tão tarde, até por que ninguém me deixa dormir até tarde aqui.  A aula da manhã já devia estar acabando e minha professora Sandry ia me matar por não ter ido. Geralmente eu acordava com o galo cantando logo cedo ou na pior das hipóteses minha amiga Lia ou o Cristiam me acordavam, mas hoje nada.
Estava meio sonolenta ainda então demorei a perceber que só tinha eu por ali. Não tinha ninguém nas ruas ou nas cabanas, nem mesmo as crianças ou alquimistas que deveriam estar aí a essa hora. Estava tudo quieto, quieto até demais. E em todos os 15 anos que ela estava ali, nunca viu a floresta quieta dessa forma. Mas como ainda estava meio sonolenta no momento, acabei nem me atentando a esse fato. Tudo parecia demais um sonho até então.
Peguei minhas coisas e desesperada corri até a biblioteca, só para chegar lá sem fôlego nenhum e perceber que também não tinha ninguém. Nessa hora diário, bateu o desespero em mim. Pensei coisas horríveis. Será que fomos roubados, que alguém entrou aqui e raptou todo mundo. Ou será que todo mundo foi embora e me deixou para trás. Comecei a gritar chamando as pessoas que eu conhecia, mas aí que entra a parte mais bizarra, você não vai nem acreditar. Mas não saiu nada. Nada de nada, eu estava muda, não conseguia falar. Era como se estivesse envolto em uma enorme bolha por onde nenhum som podia passar. E o desespero me tomou mais ainda quando percebi que além de não falar não podia ouvir também. Não era a floresta que estava que estava silênciosa demais, era eu que estava surda mesmo.
Desabei no chão da biblioteca e comecei a chorar desesperada por algum tempo, até que me veio à mente a única pessoa que poderia me ajudar nessa hora, e torci e roguei a Aurix que ele não tivesse desaparecido também.
Rapidamente sequei as lágrimas com a manga da blusa e corri mais um pouco até a casa do grande Mago.
E quando cheguei, para o meu alivio, me deparei com todo mundo ali. Na porta da casa do grande Mago estavam todos os alquimistas, pesquisadores, curandeiros e crianças que viviam nas florestas. Todos extremamentes concentrados e atentos a alguma coisa acima da colina próximo a robusta casa de madeira.
E ali estava o grande mago, de cabelos longos e grisalhos e barba comprida, sinalizando alguma coisa para as pessoas na linguagem de sinais. Meu coração estava batendo forte e estava suando por conta da corrida até ali, mas ao ver todos ali fui ficando mais calma aos poucos.
Próximo ao grande mago estava minha professora, Sandry, que estava rapidamente traduzindo tudo que o mago sinalizava para uma lousa improvisada que ela deve ter tirado da nossa sala de aula na biblioteca. 
E claro, como em toda reunião importante, tinha um escriba no fundo registrando tudo, pra colocar no livro de registros do ano. Nunca entendi o por que precisávamos registrar tudo o que acontecia, mas isso não me importava agora.
O que importava era manter minha atenção nas palavras sinalizadas pelas mãos de meu professor e buscar nelas alguma explicação para o que estava acontecendo ali e por que eu e aparentemente ninguém ali parecia conseguir ouvir ou falar uma única palavra sequer.

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Último lançamento

A melodia de Zorah

– MAJESTADE! MAJESTADE! – Gritava o guarda enquanto corria pela estrada de pedra em direção à sala do trono. Esbaforido, o guarda parecia e...